Pesquisar este blog

sábado, agosto 11, 2001

Fiz aniversário no último dia nove e acabei tendo que fazer um pequeno discurso improvisado. N�o entendi por que diabos tava todo mundo dando risada. Acho que falei umas coisas engra�adas. Teve gente que viu profundidade no que falei. Em todo caso, ganhei o soneto abaixo de presente, algumas horas depois. Quem mo entregou disse que tinha a ver com o que eu falei. Leiam:


O Palácio da Ventura

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado ca Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura.
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

(Antero de Quental)

quarta-feira, agosto 08, 2001

Acabo de descobrir que � verdade que Deus protege... (sem coment�rios)
Se voc� vende a alma ao Diabo, s� de sacanagem, para ver at� onde vai a coisa, voce � retirado do mundo antes - por Deus - de acontecer algo mais grave, como foi com Raul Seixas. Se voc� vende a s�rio, voc� vive mais tempo nesta merda e, ainda, tem o desprazer de , mesmo vendendo milh�es de livros, ser chamado de 'escritorzinho'... O rebate do mago � o seguinte: "eu, escritorzinho? Como, se vendo milh�es???"... Simples: qualquer pacto com o demo d� nisso, mas o p�blico 'real' sabe da sua verdadeira literatura...
Hoje (agosto/2001) teve gente que me disse: "voc� est� com a lavagem cerebral completa!"

Logo eu, senhor de todos os mares e tempos ruins! Que odeia ser manipulado, que repete, com Frida Kahlo, que queria "beber para afogar as m�goas, mas as danadas aprenderam a nadar"! Logo eu, fui chamado de 'ser que teve a lavagem cerebral feita'?.. Nossa! Estou sentindo o mesmo pavor que tem Olavo de Carvalho quando fala das esquerdas...

Eu, por mim, n�o quero falar de nigu�m... N�o enquanto o circo estiver pegando fogo!

Olhando a Hist�ria do ponto de vista de um n�o-historiador...

Sabe, a arte tem sempre raz�o... Interpretar a literatura, a pintura, a m�sica...

Unir tudo isso...

Sei l�!

que merda estar�amos vivendo se os mais atentos estivessem prestando aten��o � superf�cie e vissem somente Jorge Amado sendo substitu�do por Paulo Coelho na Acadaemia Brasileira de Letras, as letras de Leandro, as can��es de Daniel e as mascaradas vers�es de Roberto Carlos... Que triste!!!
Prefiro um Fagner assumindo a breguice de dizer que preferia ser um peixe para no l�mpido aqu�rio da amada megulhar (como se o desejo maior de um peixe fosse viver num aqu�rio e fazer "borbulhas" de amor!!! - de onde ele tirou isso?) do que algu�m mascarar-se de SKANK maconheiro e gravar "� proibido fumar" como uma esp�cie de metaprotesto... Por um lado protesta contra o 'lance' de fumar maconha e, por outro, protesta contra o roberto Carlos, dando uma sacaneada na m�sica do cara. Ao mesmo tempo em que vende CDs para os cegos f�s de Robertinho. S�o tantas emo��es que nem sei...

Aloprado, paro. Pois sei que queria falar de uma coisa e acabei por enveredar por outra...

Deixa pra l� que tenho que trabalhar...

terça-feira, agosto 07, 2001

"Eu sei que determinada rua em que j� passei n�o tornar� a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que guardo h� muitos anos e que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que me despe�o de uma pessoa... Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela �ltima vez.
A morte, surda, caminha ao meu lado, e eu n�o sei em que esquina ela vai me beijar...
Vou te encontrar,
Vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar,
Esperas s� por mim.
E no teu beijo,
provar o gosto estranho
que eu quero e n�o desejo,
mas tenho que encontrar.
Vem!
Mas demore a chegar
Eu te detesto e amo
Morte, morte, morte que talvez
Seja o segredo desta vida!"
(Raul Seixas)

segunda-feira, agosto 06, 2001

PAL�NDROMO
[Do gr. pal�ndromos.]
Adj. E. Ling.
1.Diz-se de frase ou palavra que, ou se leia da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda, tem o mesmo sentido, como, p. ex., radar e Roma � amor. ~ V. verso --.

AL� BOLA
AME O POEMA
AMOR A ROMA
ANA
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ANOTARAM A MARATONA
AP�S A SOPA
ASSIM A AIA IA A MISSA
AT� O POETA
AULA � A LUA
A BAB� BABA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
EVA ASSE ESSA AVE
LUZ AZUL
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL � COR AZUL
�DIO DO DOIDO
OI RATO OT�RIO
OSSO
OTO COME MOCOT�
OVO
O CASACO
O C�U SUECO
O DEDO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O GALO NO LAGO
O MITO � �TIMO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
O V�O DO OVO
MIRIM
MORRAM AP�S A SOPA MARROM
MUSSUM
RADAR
RENNER
REVIVER
RIR, O BREVE VERBO RIR
ROMA � AMOR
ROMA ME TEM AMOR
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
S� DA TAPAS E SAPATADAS
SOCORRAM-ME SUBI NO �NIBUS EM MARROCOS
SUBI NO �NIBUS
VIVIANA AMA ANA IVIV
ZE DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

Valeu, Ossian!!
V� se me entende, olha o meu sapato novo,
Minha cal�a colorida e o meu novo "Way of Life".
Eu t� t�o lindo, por�m bem mais perigoso:
aprendi a ficar quieto e come�ar tudo de novo!
O que eu quero
Eu vou conseguir,
Pois quando eu quero, todos querem
Quando eu quero todo mundo pede mais.
E pede bis!
(Raul Seixas)

sábado, agosto 04, 2001

Frida Kahlo

Texto em primeira mão... (acabei de escrever...)

Frida Kahlo é sobrancelhas. Frida Kahlo é ela mesma. O tempo inteiro pintando a si mesma e a si mesma, duplamente, de várias maneiras, até meio mulher, meio animal, quadrúpede com flechas na coluna, ciumenta capaz de apenas umas facadinhas que manchariam de sangue a própria moldura. Porque o que é a moldura perto das dores lancinantes, da perda de uma perna, das lágrimas, das dores insuportáveis em sua coluna?
Frida Kahlo ia além. Nem o álcool serviu de moldura para si mesma. Disse ela: “tentei afogar as mágoas, mas as danadas aprenderam a nadar”. Gostei! Quis ser inventor e até pensei em dizer isso como sendo propriedade minha, mas somente uma Frida Kahlo poderia ter a autoridade para dizê-lo. Frida Kahlo é sobrancelhas mas é também sutil bigode num rosto bonito, bem desenhado. Desenharam bem e talvez por isso mesmo ela gostasse tanto de desenhar a si mesma. Mas Frida Kahlo não queria desenhar, não queria ver o mundo assim, mas via. Via e pintava como necessidade. Aquela necessidade de ir ao vaso que todo mundo tem e que não dá pra ignorar e deixar para depois. Pintava como quem precisa de um banheiro. Há pessoas que escrevem, outros interpretam personagens que nunca serão... Frida Kahlo morria. Sentia a morte chegando e dizia – no meio de suas últimas palavras estava escrito – “espero alegremente a saída... e espero nunca mais voltar — Frida”. Também pudera: voltar assim? Sobrancelhas quase emendadas, bigode, sem perna, e sentindo-se quadrúpede de tantas dores na coluna, operada trinta e duas vezes, tudo isso resquício do acidente entre um ônibus e um bonde em que uma barra de ferro atravessou-lhe a bacia saindo pela vagina e, para completar, tendo um marido capaz de comer sua irmã mais nova. Sim, a irmã de Frida-esposa! Eu também quereria não mais voltar.
Frida Kahlo era amarrada a uma cadeira para com fortes dores pintar. Decidiu, depois, escrever em um diário – deitada mesmo, como poderia ficar – mas não conseguiu. Tinha que pegar da tinta e pintar todas as páginas do tal diário. Era chamada mesmo de pintora do surrealismo mas, diferente de Dalí, que pintava sonhos, sua realidade era em si mesma surreal e independia de sua vontade. Por isso nada importava. Pintava, fechava o diário, abria e voltava a pintar... As manchas resultantes estariam disponíveis mais tarde, quando algum desocupado e sadio personagem desta vida maluca conseguisse enxergar interpretação naquele atoleiro de cores.
Frida Kahlo morria. Mas isso era nada. Morrer era desejo e sonho, pois o pior eram as dores. Melhor ir embora sem voltar. E a pintura? – poderiam perguntar. Alguém, numa hora dessas, pensa em como fará suas necessidades básicas?
Frida Kahlo era mexicana, de 1907, e morreu em 1954, de embolia pulmonar após ter contraído uma pneumonia.

sexta-feira, agosto 03, 2001

Esse neg�cio de Blog � legal, mas a gente acaba deixando pra depois orque tem outras coisas pra escrever e editar... Ando muito ocupado no meu trabalho. Ontem mesmo tive que trazer coisa pra fazer em casa, me programar para o dia seguinte. Nem mesmo o trabalho de edi��o da Revista Fauth eu fiz. T� foda, mas � coisa pra um ou dois meses e depois vai melhorar. Preciso ir ao m�dico e ainda n�o consegui maracar um hor�rio para consulta. Agora me diga: d� tempo de escrever em blog??? Mas a gente acaba sempre dando um jeitinho.
PS.: Acho que vou criar um saite s� pra divulgar "�guas de Jogapocu". Um lugar t�o lindo e a revista Quatro Rodas nem conhece. J� procurei em tudo que � canto e n�o achei. Achei at� "passo-pocu", que ningu�m comenta muito, mas tem a ver com Caxias e o ber�o de nosso Ex�rcito, mas isso � outra hist�ria.