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sexta-feira, julho 29, 2005

Agora entendi

Ontem me disseram que meus versos decassílabos estavam falhos...

Concordei. Mas não entendi...

Preocupei-me com isso quando escrevi... Aí descobri: o verso do blog está certo:

"E nos faça o bem de andar na calçada"

Agora, sim! Melhor do que aquele ridículo "caminhar" que eu tinha inventado.

Caminhar é muito ridículo. Eu nunca faço caminhada. Eu ando (pelo mundo)... E meus amigos... cadê?!!

Amanhã mesmo

Chamaram-me para cargo um tanto político.

Aquela coisa dentro do meu âmbito... Coisa que eu não queria, mas que poderia ser interessante...

suplente do suplente do suplente do suplente...

Não soube dizer não...

Hoje eu sei.

Amanhã mesmo estou ligando para algumas pessoas e pedindo para tirar meu nome da lista das possibilidades e enfiando-o no arquivo morto.

Não compactuo com nada disso.

Como disse-me, certa vez, um pseudoamigo: "sou incorruptível"
(e eu completo: a menos que me diga a palavra mágica: "é missão").

A corrupção não se dá só pelas malas...

Mas pelas malas sem alça também...

Não quero ter obrigações com malas-sem-alça.

Quem receber meu telefonema, amanhã, saberá: estou fora!

Nada quero nada de vocês. Nada quero nada de ninguém.

Quero só dormir em paz... Com a cabeça no travesseiro, assim, bem leve... Como estou agora.

Boa noite!

quinta-feira, julho 28, 2005

A Formiga e a Cigarra

Será que algum dia a palavra "trabalho" valerá também para quem lida com a parte intelectual e artística do mundo? Ou seremos eternamente "vagabundos"?

Lembrei do Caetano (letra do Chico):

SAMBA E AMOR
"Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama - reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação"

Ou então assumimos de vez e fazemos coro com Raul Seixas em resposta aos que preferem diminuir a reconhecer nosso trabalho:

"A formiga só trabalha porque não sabe cantar"

sábado, julho 23, 2005

SUBTERFÚGIOS

Esse é de agosto de 2000

Não gosto de seu texto. O problema é que não sei como lhe dizer isso. E por que eu devo me preocupar? Não gosto e pronto. Seu texto é ruim mesmo. Verdadeiramente ruim. Mas tenho que ter argumentos para afirmá-lo. Não posso simplesmente dizer que não gosto e pronto. As pessoas querem esses argumentos, precisam de motivos e não há problema: isso é o que não me falta.
Aquele erro de concordância básico e por isso gritante me incomodou demais. A falta de acentuação naquela palavra que nem tenho coragem para dizer qual é, a própria escolha do vocabulário que utiliza... Tudo junto faz desse seu texto um verdadeiro lixo. A cesta de lixo é a sua direção.
Mas levanto os olhos do papel, ao fim da leitura, e vejo que você, muito simpático, está sorrindo para mim, ansioso, com esse olhar de brilho radiante feito criança que acaba de ganhar um presente.
– E aí? Gostou?...
Sua pergunta, como uma flecha, entra no fundo da minha alma.
– Não. É péssimo.
A resposta seria essa. Depois viriam minhas argumentações do ponto de vista gramatical, lexical, coesões e coerências que lhe faltam, além da própria idéia que, em si mesma, não diz nada.
Conheço autores que escrevem sobre o quase absolutamente nada. Gente que é capaz de desenvolver parágrafos e parágrafos a respeito de um mero atropelamento (e só o atropelamento: sem antecedentes e sem conseqüências), ou sobre os pregadores de madeira que quase não existem mais hoje em dia. Coisas banais mas que conseguem ser ditas com arte. Mas o seu texto sobre essa coisa banal, sem arte e sem classe, além de vários erros de português...
E você ali, sorrindo, parecendo que tem certeza de que serei favorável a ele, o texto. Como vou compactuar com isso? Não posso. Seria como concordar com a corrupção ou coisa que o valha.
– Quem, além da sua mãe, elogiou esse texto?
Não posso perguntar isso, apesar de ter essa curiosidade. Séria curiosidade. Tirando a parte "da sua mãe", que não passa de ironia, eu realmente gostaria de saber quem foi que deu a força, pois o jeito como você aguarda minha voz é de quem tem uma certa confiança. Aquela confiança que algum “amigo” lhe deu só para manter a amizade, para não feri-lo. Feliz, você vem até mim com o intuito de angariar mais um voto para sua produção literária; produção essa carregada de momentos de inspiração que o fizeram descrever todos aqueles sentimentos de maneira bastante comum. Bem lugar-comum.
Por que eu, que sou seu amigo? Para você era muito lógico que eu ratificaria a opinião desse possível outro. Tem que ter havido um outro. Do contrário não estaria, então, me olhando com esse sorriso de quem não está preocupado com o que pode vir.
– Você precisa ler mais, amigo. Está muito ruim isso aqui.
Mas não consigo dizer nada. E alguém consegue? É cruel, muitas vezes, expor uma verdade. Começo a escarafunchar o cérebro em busca de subterfúgios. Qualquer coisa que me leve a afirmar algo como:
– Está bom, mas...
E por que eu tenho que dizer que está bom se não está? Que situação foi essa que você colocou diante de mim?! Agora preciso resolver esse impasse. Você aí, olhando pra mim com avidez, à espera de uma confirmação que não virá. Para você sou autoridade. Minhas palavras serão sua vitória ou sua desgraça. E se chegou até aqui é porque, de certa forma, espera alguma vitória.
Agora eu... Dentro de mim a luta. Não quero estar aqui para ver seu sorriso transformando-se numa fisionomia triste ao encontrar uma realidade que o colocará num lugar bem diferente de onde o fizeram acreditar que estivesse.
Seu texto é muito ruim e você nem tem autocrítica suficiente a ponto de imaginar o quanto. Não faz idéia do que são seus erros de concordância e seus diversos clichês. A luz do luar refletida nas águas paradas do lago, o coração que gela por outrem, os sentimentos mais profundos de amor, tudo isso encontrado nas mais diversas capas de cadernos, agendas adolescentes e atribuídas a Sheakespeare, Lord Byron e outros figurões. E você ali, com suas livres adaptações do que é de domínio mais do que público.
Olho novamente para o papel e releio o último parágrafo para ganhar tempo. "Ele perguntou se gostei e o que eu vou responder"?
– Esse último parágrafo foi surpreendente, não foi? - pergunta ele como se adivinhasse o que eu estava relendo, enganando-se, porém, com os motivos para meu paralisado estado estupefacto.
Olho para o relógio e, num instante, estou apressado para fazer qualquer comentário. Inesperadamente alguém me salva:
– Eurico! - chama um amigo comum, do outro lado da calçada.
Eurico olha, sorri, acena, e fica mais apressado do que eu para sair dali e encontrar seu amigo. Sua pressa é verdadeira. A minha, fingida. Aceno também, despedimo-nos assim, com a coisa mal resolvida, deixando pendente o momento. Melhor para mim, que vou ganhar tempo para pensar numa resposta. Melhor, talvez, para ele mesmo. Mas o pior é saber que a situação voltará e estarei na mesma.
Informar a um amigo que se acha poeta "com alguma incursão na prosa" (como ele mesmo gostava de dizer), que seus escritos são um lixo não será tarefa fácil. Gosto dele. Todo mundo gosta e ninguém diz nada porque é mais fácil elogiar e manter a amizade sem arranhões. Mas penso que, se gosto mesmo dele, devo dizer a verdade. Pode odiar-me agora, mas agradecer-me-á no futuro, mesmo que lá no fundinho de sua alma. "Foi o único sincero, pois sempre desconfiei que minhas inspirações não eram lá essas coisas..."
Amanhã, então, vou dizer a ele. Prevejo o diálogo:
– E aí? O que achou daquele texto de ontem? - perguntará Eurico, eufórico.
E eu responderei, metafórico:
– Zagueiro.
– Como?
– Zagueiro! Vi você jogando futebol, ontem...
– E daí? O que uma coisa tem a ver com a outra?
– Dedique-se ao futebol. Sério. Você tem futuro ali. E com a alma de escritor que eu sei que você possui, tenho certeza de que entende esta metáfora. Por favor, Eurico, não me faça, agora, ser mais claro.
– Claro - ele responderá, engolindo em seco e, adultos, continuaremos amigos.
Disso eu tenho certeza.

Publicações

Estou aproveitando a descoberta de que não deletaram meu espaço para publicar coisas que estão com teia de aranha nos meus arquivos... Daqui a pouco aparecerá mais poesia velha.

Existe poesia "velha"? Tenho lido algumas e parecem-me tão atuais...

PERDIDOS NO CYBER-ESPAÇO

Este conto foi parte de um exercício proposto pela Oficina Literária do Sesc, organizada por João Silvério Trevisan.

Daqui não vejo nada que possa mentir, porque o cyber-espaço é meu. O cyber-espaço sou eu. No mínimo a projeção do que tenciono pensar que sou, porque, assim como o cyber-espaço, minha identidade é nula e ganha contornos apenas quando surjo nele - ou ele surge em mim, assim, reto... Infinito.

Passeio por essas luzes e tenho a impressão de que, apesar das almas que habitam ou apenas estão de passagem por aqui, ouço os ecos da minha voz a cada vez que grito seu nome. Um nome que não conheço de um alguém que não vi.

Branca é a cor do cyber-espaço. Branca é a voz surda que sai de mim. Branco é esse perfume que exala dos chips que, quentes, seduzem minha visão de mundo. Um mundo vazio, mas que, a julgar pelo calor emanado dessas paredes invisíveis, possui uma riqueza infindável. Temos que saber olhar. Precisamos descortinar o que há por trás dessa coisa que não tem frente.
Como descrever? É como essas criaturazinhas que dançam, neste exato momento, diante de seus olhos e, pela característica fugidia de seu intrínseco ser, não consegue enxergá-la sem esforço. São assim, como as entrelinhas: pequeninas, fugidias, risonhas... e brancas. As entrelinhas, como o cyber-espaço, são também brancas e vão nascendo do cruzamento da tinta preta com esse esperma branco de que é feito o papel. Entram e saem pelos buracos das letras, escondem-se por detrás de algum negrito, observam o mundo por sobre as maiúsculas e têm a impressão de serem sozinhas. Não sabem que a razão de sua existência são meus olhos que as enxergam sem ver.

O Cyber-espaço é o esperma branco que interaje comigo, mera tinta preta a produzir verdadeiras entrelinhas. Não sabemos por que motivo estamos navegando nesse caldo que parece incongruente. Uns nem pensam nisso. Outros, como eu, indagam incansavelmente:

- De quem são os olhos que perseguem as minhas filhas entrelinhas?

E o que ouço é a resposta do infinito, em forma de eco, a devolver-me a minha própria releitura.

terça-feira, julho 19, 2005

ÍCARO

Eu não tenho mais palavra nenhuma
Para exprimir o que passa comigo
Quero suave sumir numa bruma
Ter neste mundo somente um jazigo.

Queria passar por ti como amigo
Simplesmente como alguém que perfuma
Teu ambiente – p'ra nós muito antigo!
E estamos aqui... leves como pluma...

Sem sabermos desta vida mais nada
Que possa repor nossos pés no chão
E nos faça o bem de andar na calçada.

Que o ícaro perigo desta alçada
Nos seja rejeitado!... Mas então
É tarde, e nossa alma já está aleijada.

sexta-feira, julho 15, 2005

Hoje

Hoje estou voltando ao BLOG...

É a única página que me resta.

É o único espaço meu.

Um beijo a todos.

Fauth