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sexta-feira, outubro 28, 2005

personagem

Acabo de chegar da rua. Saí de pés no chão, sentindo toda a força da Terra... Uma prancheta com folhas nas mãos, umas canetas no bolso e, isso foi o mais chato de encontrar, uma carteira contendo identidade para o caso de alguém achar que eu era louco. Como se identidade pudesse isentar alguém de algo.
Mas pelo menos identifica o (mau)elemento que está encostado a um poste (provavelmente já mijado por algum outro), quase à meia-noite, escrevendo, olhando para o nada, voltando a escrever.
O mais estranho: saí de casa pensando em escrever algo muito meu, sobre a poesia que sempre aconteceu nos lugares em que vivi, por mais inóspitos que parecessem aos olhos cegos de outras pessoas que só vivem do que (a)parece.
O começo foi sério, mas aí desembocou para o personagem do romance que estou para escrever. Foi muito estranha a sensação. De repente não era mais eu... Fiquei puto porque queria escrever coisas minhas e acabei por entrar no personagem de tal forma que o personagem era eu.
O pior: a-do-rei.
Tanto quis um tempo para mim, para escrever o meu "romance" e acabei encontrando-o, o tempo, sem querer. Se, por um lado, não consegui escrever o que ia na minha alma, por outro acabei por desenvolver mais uma idéia para minha história.
Fluxo de pensamento, ficção...
Fico imaginando sendo encontrado, com cara de indigente (pés no chão, bermuda e camiseta velha), e aquele texto escroto. Hahahaha!

Em pensar que desta vez nem bêbedo eu estava!

A sensação que eu tenho, com o que está na minha garganta para dizer, é que eu acordei para algo e que quero acordar pessoas.
Preciso tomar conta desse meu desespero...
Quem sou eu para salvar alguém? Quero apenas contar aos outros da minha salvação. Odiaria que ocorresse qualquer traço de "panfletagem" na minha história. Há essa preocupação em "Augusto Matraga"? Não. Há essa preocupação em "A Confissão de Lúcio"? Não. Há essa preocupação em Fernando Pessoa? Não. Mas há escritores 'engajados'... Odeio isso! Não tenho a intenção de acordar ninguém, mas bem que gostaria que enxergassem o que eu vi.
Mas, prometo, deixarei que a sensibilidade de cada um perceba o tema por baixo das figuras que apresentarei.

A dúvida é: serei capaz disso??

sábado, outubro 22, 2005

momento criativo

Ando muito ocupado. Momento de criatividade tomando meu tempo... Mas algo hoje fechou meu dia: um fotógrafo cego. Sabia de sua existência, mas nunca o havia visto na TV, conversando. Maravilhoso. Agradeço à rede Sesc/Senac por ter passado isso às quatro da manhã! Para quem não sabe do que estou falando, uma amostra abaixo:

Nascido na Eslovênia, Evgen Bavcar ficou cego aos 12 anos de idade após sofrer dois acidentes. Mesmo assim ultrapassou os limites impostos pela deficiência e pela sociedade e tornou-se fotógrafo. Hoje é conhecido internacionalmente e causa polêmica por onde passa

O mundo não é separado entre os cegos e os não cegos. A fotografia não é exclusividade de quem pode enxergar. Nós também construímos imagens interiores”. Quem afirma isto à exaustão é Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta. Nascido na Eslovênia, Bavcar ficou cego aos 12 anos de idade em dois acidentes. O olho esquerdo perdeu a visão quando perfurado por um galho de árvore. O olho direito foi afetado durante a explosão de um detonador de minas com o qual ele brincava. Em oito meses havia perdido a visão completamente. Por volta dos 17 anos, Bavcar conheceu a fotografia através de sua irmã, que lhe emprestou uma câmera fotográfica para que ele fotografasse uma menina do colégio por quem era apaixonado. Desde então, ele afirma ter descoberto uma forma de exteriorizar suas imagens interiores e comunicar-se com os outros.

Doutor em História, Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne, na França, Bavcar vive em Paris e viaja o mundo, mostrando às pessoas que a imagem não precisa ser explicitamente visual. Bavcar esteve no Brasil no final do ano passado participando do congresso Arte Sem Barreiras, em Belo Horizonte. Durante a visita ao Brasil, também ministrou um workshop para um grupo do Instituo Londrinense de Cegos. Durante o workshop, mostrou que os cegos enxergam com o toque e desenvolvendo outros sentidos é possível perceber o mundo com a mesma eficiência que aquelas pessoas que empregam apenas o sentido visual. Também ensinou conceitos como sombras e horizontes para cegos de nascença. “O teu horizonte é ate onde você pode ver. Se você vê com as mãos, logo o teu horizonte é até onde você pode tocar”.

Poliglota, fala francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, esloveno e servo croata. Sempre causando polêmica por onde passa, Bavcar não se intimida diante daqueles que não admitem que um cego possa fotografar. Para a execução das suas fotos, conta com a ajuda de sua irmã e com técnicas desenvolvidas ao longo dos anos. Entre algumas características do seu trabalho, destaca-se a composição da luz em contraste com ambientes totalmente escuros.
Freqüentemente também usa a técnica de multi-exposições e procura sempre interferir em seus trabalhos. Abaixo, trecho de uma entrevista:

Photos - E qual seria o motivo pela sua preferência pela fotografia em preto-e-branco?
Bavcar - Esta preferência tem a ver com o preço do filme colorido. Na Europa o filme PB é muito mais barato que o filme em cor, por isso sempre uso PB.
Photos - Você já chegou a fotografar em cor? O que achou do resultado?
Bavcar - Já fotografei em cor, mas não gosto porque tenho alguns problemas técnicos. O preto e branco permite uma melhor expressão da luz. A fotografia colorida é um fantasma, o mundo não é colorido desta maneira, é uma ilusão. Quando vemos uma fotografia colorida, vemos apenas as diferentes ondas e não os seus nuances. Eu posso combinar em minha cabeça muito exatamente os aspectos de diferentes cores, alterando a porcentagem de cada uma de acordo com a informação que recebo.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Puta que o pariu

Porra!

João Silvério Trevisan fora do SESC????

Adeus oficinas maravilhosas...

Não entendi nada, nem quero entender...

Aliás... Acho que já entendi (problemas financeiros)

É o que dá viver no capitalismo... Ainda mais quando o comunismo também se fodeu!!!

Resumindo: é o que acontece com quem vive...

Relaxe: a morte está próxima!