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sábado, agosto 26, 2006

Erótico

A Rogério Skylab

Não entendo.
Por que vejo bundas e peitos gostosos
E não fico de pau duro?
E por que, enquanto leio um livro,
Sem pensar em sexo,
Meu pau entumesce?
Acho que o pau endurecer ou não
Nada tem a ver com sexo.
Ou então,
Meu tesão é maior pelos sonhos
Pelos pensamentos
Pelas pessoas
Do que assim, propriamente,
Pelas “mulheres”.
Meu tesão é pela vida!

Imunda

Eu apertei os meus olhos
Profundamente
“Palavras tão secretas não podem ser reveladas”
Mas tão profundamente…
Ao apertá-los mais
“Palavras tão secretas não podem ser reveladas”
A buzina de um automóvel despertou-me.

A realidade se faz presente
Olha nos meus olhos bem fundos
Como se quisesse dizer algo
“Palavras tão secretas não podem ser reveladas”
Mas permanece imóvel, absorta,

E muda.

sexta-feira, agosto 18, 2006

"Toda vez que eu olho no espelho
a minha cara
Eis que sou normal
E que isso é coisa rara!"
Raul Seixas
(Mas era eu que deveria ter escrito isso!)

quinta-feira, agosto 17, 2006

Estou a fim de fazer isso...

Tenho que ficar explicando???
Penso muito o tempo inteiro. E isso, aparentemente, não me tem feito bem. Porque não me faz bem, como pessoa, perder noites de sono, perder dias de trabalho, prejudicar-me no emprego, nos relacionamentos, no eu.
Tudo besteira! Simplesmente porque eu não sei o significado de prejudicar-me. Alguns se prejudicam fumando, bebendo ou comendo no shopping. Mas comer no shopping é ajuda, não é prejudicamento. Dormir é ajuda. Beber água é ajuda. Almoço de domingo com a família. Praia com direito a piscininha inflável de água doce e aquela criança obesa e loira sorrindo, com dois dentinhos inferiores, para você tal qual propaganda de banco. Que delícia de vida magnífica é essa de poder chegar em casa e sofrer com a dúvida: alugo um DVD ou assisto ao Telecine da Net? Melhor dar um mergulhão na piscina! Mas são quatro da manhã!! Você é louco mesmo (risos de pasta de dente televisivos)! Ai, que vida invejável: correr e tomar um isotônico! Um dia chego no isotônico, porque por enquanto só corro!
Socorro!
Não adianta olhar para o céu. De lá só vem calor e águas. Não adianta olhar para baixo: sob seu pedestal só há cimento cru. Mas você olha para frente e vê o nada. Se virar o pescoço para trás, cai. O que fazer além de respirar e esperar. A espera é um dos sinônimos da eternidade. Quer ser eternizado? Fique onde está. Não é preciso fazer nada. Você terá o seu quinhão. Eu prefiro viver.
Salto. Esborracho-me e viro outra coisa. Qual o problema de ser um cão? Docilidade e obediência irracional, como nos quartéis. Direita,volver, quando estou querendo ver, ao fundo, o soldado que foge do passarinho só porque não está em casa. Nem ele, nem o passarinho. Daí a luta libanesa retratada no microcosmo. Batem asas, batem mãos, mas ninguém essencialmente odeia ninguém. O pássaro é lindo, já o soldado… É só um soldado.
Canso-me de olhar para tudo. Quero, então, fechar os olhos e dormir: isso é ajudar a mim, sonhar, voar. Asas de cera.
Um poema é escrito
Quase com sangue.
Bem fez a Ana que,
Cansada da poesia,
Foi ver o mundo.

Açucareiro

Isso é um açucareiro
Não um cinzeiro!

Obrigado pelo aviso.
Estava tão bom
Tão doce
Mas acho que o dia começou, né.
Vamos, então?

Memória

Minhas decisões bêbadas
Atordoam meus pensamentos
Tudo já foi, tudo já era
E eu entro no túnel
Do que já não importa
Não há condições, não há mais espera
Não há mais nada:
O beijo-na-boca esvaziado
O êxtase sem ter sido
O foco da luz que se apaga
Enquanto a memória
Ah, a memória!
O tudo que eu sei
De quem já não fui.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Eis a minha cama!
Buraco negro de ácido –
Líquido Jasmim
Por onde se desenham abismos sob meus pés.
Meu corpo assim
Descalço, desfalecido, cansado
Vai submergindo
Na escuridão do que não sei.

sexta-feira, agosto 11, 2006

No Sobrado dos Calixtos

A Giancarlo Mecarelli

Corpos lindos no Sobrado dos Calixtos
E ali estão, negros,
Fagulhas e bicos de seios
Corpos-serpentes cativando os homens no feitiço
Ou por gostosa e sabida de cama
E a negra, brilhante, segura a barra
Chocolate branco que quero comer
Me lambuzar e escorregar
Por todos os seus brilhos e contrastes
- Não lhe parece que cada um tem o direito de viver sua vida em paz
Sem ninguém nela se envolver?
E que berros horríveis são esses
Nos confins da cidade
Nos confins de mim mesmo
(onde vivem raras rameiras)?
Ah, Giancarlo!
Vosmicê encontrou a poesia da vida
Vosmicê apreendeu o valor de Tereza!

(sobre exposição de fotos "Beleza Afro-brasileira", Galeria ZOOM, em Paraty - criação sobre trechos de Jorge Amado)

domingo, agosto 06, 2006

Não quero sentir – digo a mim mesmo –
Mas é inútil
É como não querer pensar
Respirar
Não quero sentir
Mas vem o Sol e queima minha pele
(sem pedir licença)
Eu beijo o rosto impresso nas trinta moedas
E gasto outras trinta com o impossível
Que é como não sentir
Entretanto sinto muito
Meu pescoço espera a corda
A faca, o tiro
Mas o que vem é sentimento
E eu não quero
Ando fugindo de todo o mundo
Mas todo lugar é o mundo
E não há como esconder
Os sentidos, as facas, as cordas
Não há como correr
Dos tiros, dos barulhos, dos sonhos
Então me atiro no lago negro
Cheio de lama e dúvidas.