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sábado, setembro 02, 2006

Colapso

Minha mente sobrevoa mansa o abismo
Em meus pés há pregos enormes
Eu não me precipito em você
Seus olhos são duas glandes querendo me comer
Sua boca resume-se a um traço
À minha frente explodem edifícios
E você só é branca por causa da fumaça
Seu cheiro e seu ódio derramam-se em meu continente
Mas sou apenas uma ilha deserta
Não queira habitar-me: aqui não há comida
Não há nada em mim
Seguro com força o fio desencapado
Mas o susto do choque não me diz nada
Meu coração pára, minha mente entra em colapso
E sinto-me feliz
Adoro quando isso acontece:
O nunca fica diferente.

Revólver

Meu coração sangra
Por eu não ter o mundo nas mãos
Quem sou eu
Para querer direcionar tua arte?
Não posso ser senhor e dono da alma de ninguém
Se nem mesmo a minha alma eu governo
O pneu do meu carro passa sobre uma cabeça
E eu não sei em qual esquina devo parar
Acelero e vou em busca do infinito
Por que a necessidade desse derramamento de alma?
Estou cansado de transbordar
Minha alma vai pingando cintilante pela cidade
E os pontos fosforecentes que vou deixando
Não servem para o caminho de volta
São apenas alimento de um pássaro que retorna eternamente
Depois de comer os pedaços de mim
Perco o equilíbrio de novo
E minha apresentação nessa corda bamba é triste
Palhaço de circo
Não nasci para isso
Mas teimo em ter o mundo nas mãos
Por mais que me mostres que atiras para onde quiseres
Por isso eu sou nada
Nem gatilho, nem pólvora
Porque a arma é tua
Eu chupo as balas do teu revólver
E elas têm gosto de carmim
Do meu corpo inteiro saem lágrimas
São suores de um mundo impossível
Eu não sou capaz de retornar
Avançar ou pausar
Ainda não inventaram o controle remoto da vida
Por isso meu coração sangra
Tuas direções são só tuas
E o meu poder se encerra em mim
O resto são sonhos
(e eu ainda acredito neles).