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segunda-feira, outubro 02, 2006

REI

Incessantemente
Os raios da manhã
Enchem-me de poder e malícia
Visto-me com majestade
Pouso a coroa de ouro sobre a minha cabeça
E sorrio diante do espelho
Tão belo me vejo
Com esse ar superior de semideus
Suspiro minha superioridade
E vou!
Cabeça erguida e olhar altivo
Caminho devagar
Arrastando a cauda vermelha
De minha veste régia
E todos, então, são meus súditos
Ajoelham-se quando eu passo
Espíritos abertos a qualquer palavra minha
Vox Dei
Segurando firme o cetro
Bem do alto do meu trono coberto por brilhantes
Dou ordens o dia inteiro
Depois, escolho a mulher que eu quero
Lambuzo-me o quanto posso
E ronco na minha felicidade real!
E nesse sono profundo e delicioso
Não me importo que digam:
“O rei está nu”.