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domingo, setembro 28, 2008

É muito mais o que sai das paredes
Reverberações de verbos em ecos
Sou sempre o sonho dos outros
E deleito-me nessas viagens...
Descanso dos meus pensamentos
Debulhando sementes de suas vagens
Vejo pratos deliciosos de verdes cores
Como tudo! Não sei do amanhã
Engordo e engrosso esse meu sangue
Caminho difícil por sobre a manhã
Esqueço das tardes em tempo presente
Navego com sono nas noites de então
Abro meus olhos com muita vontade
E vejo paisagens de mundos desertos
Encaro essas coisas e elas são belas
Sabendo no fundo que são como são
Sou eu a bobagem do meu dia-a-dia
São eles os certos, os sãos, os que vão
E eu travo aqui mesmo, no meio do dia
Que é quando começa essa escuridão.
Sou louco, poeta, o que quer que se diga
Sou bobo, poeta, de cheia barriga
Giroflex do inferno, não consigo parar
Minha vida-ambulância
Entre o trem e o que há
Os remédios vencidos da vida que vai.

Durmo a sono solto.

Sonho a sonho alto
Caio em rede solta
Mordo as minhas rédeas
Desembesto em boca amarga
Vomito o que não como
Acompanho o que não tem fim
Agradeço ao que não tem como

E amanheço tão bem assim.

quinta-feira, setembro 11, 2008

deram-me um corpo ferrado e por isso me sinto injustiçado.
tudo o que faço parece ser destrutivo de mim.
se como macarrão, engorda.
se nada como, vou morrer
se ingiro frutas, muito bem...
Parabéns! Você chegou lá!
Onde queríamos!
Quem "queríamos"?
Vou passar dos 200 anos se só ingerir frutas?
Tenho a genética de Adão
E por isso bebo gin
Queimo fumo no meu cachimbo
e sonho o nada de todo mundo:
Os gritos do futebol
As letras impressas nos livros.
Nada disso me comove
Nada disso sou eu.
Sou maior que todo o mundo
Sou menor do que eu mesmo.
Quero, faço e vejo.
Sonho, narro e faço.
Quem me segue nessa estrada
Não sabe que nela não caminho
Espero o tempo passar
Para de outra vez
Começar
O longo caminho que não termina.
ENGANA-ME!
falo sombra
de tudo aquilo.
Moro num lugar
de onde se pode ouvir melhor
o não da existência
Julgo que sei
do complemento dos meus ais
Mas não sei de nada
Vivo perdendo as apostas
que faço comigo mesmo.
Elevo-me às mais altas altitudes
de minhas próprias réguas
Ares científicos de nada
Minhas altas viagens
Não chegam aos altos paralelepípedos
Meus rios são pluviais
E minha graça é adotada:
Enfeitada de gargalhadas fúteis
De um dia sem amanhã.
o que faz um bêbado tremular feito bandeira
é o batimento cardíaco.
Aliados à respiração,
os batimentos
desse coração
imprimem um ritmo
que não condiz com a razão.
A cabeça obedece cegamente a esses impulsos
Mas o que se vê, de fora,
é só desequilíbrio, ventania,
desolação.

Barro

aos alunos

As mais velhas trazem coisas demais
As mais novas, coisa nenhuma
Daí a atração:
Uma espécie de sadismo divino
Transformar barro
Em homem de verdade!
E rir-se eternamente
Feito criança
Dos próprios bonequinhos
Feios como a gente
Que habita o mundo todo.
escrever é desvalorizar as paredes
Quero estar mesmo bem abaixo da média
Só para diminuir a média do universo

Encruzilhada

Quando paro minha vida
Tenho o direito
(que dizem ser feio)
De dar marcha à ré.

Engravatados da auto-ajuda
Aconselham a olhar para diante
(como os cavalos de tapumes aos olhos)

Olho para os lados
Aquelas ruas transversais não me pertencem
Parecem desvios da Real Estrada
(há sede de conhecer
e prazer de experimentar)

Decido pela rua direita
Por achar melhor os caminhos direitos
E eis que é contramão!

A encruzilhada não é lugar de decisão.
Ali apenas meditamos e percebemos:
Um prato de barro
Uma garrafa escura de cachaça
O defunto de uma galinha preta

(e o sinal ainda fechado)

O bilhete da loteria do azar
Um palhaço expulso do circo
E o panfleto de uma igreja
Universal
De um reino marginal.

10/9/08

quarta-feira, setembro 03, 2008

Sete de Setembro

Na feira de amanhã
Quero comprar brócolis
E saborear meu feito
Tão digno, meu Deus!
Tão bonito, assim, esverdeado!

Alegrem-se, pois é Semana da Pátria!
Hora de plantar sementes
Escrever poemas
Quem sabe, fazer filhos!

E nesse dia branco:
Pintar de verde a fachada
De amarelo a ausência
E com o sangue do mais azul
A ordem, o progresso e a fidelidade.