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domingo, outubro 26, 2008

Satyrianas 2008

Delícia de clima nas Satyrianas 2008. Estive por lá das 16h de sábado às 6h da manhã de domingo.

Não dava para ver tudo, pois várias coisas aconteciam ao mesmo tempo. Então tomei as seguintes decisões:

18h30, a peça CATASTROFE DA BORBOLETA: "composto por pequenas histórias que envolvem o espectador e tentam provocar a sua sensibilidade diante da realidade de uma sociedade reprimida." Da companhia carioca "Teatro da Demolição". Vários momentos de intensa sensibilidade. Excelente.

20h30, no espaço CINEMIX, exibição dos curtas:

Fast Food (animação - 1'), de Diego de Godoy e Rodrigo Pensavento
A Cauda do Dinossauro, ficção - 17'), de Francisco Garcia com texto de Angeli. Muito bom, incomodativo e escroto como bem gosta o Angeli. 
Passeio (ficção, 5'), de Estela Lapponi. O passeio de uma cadeirante em São Paulo. As dificuldades.
Alguma Coisa Assim (ficção, 15'), de Esmir Filho. Caio e Mari, dois adolescentes, saem à noite pelas ruas de São Paulo em busca de diversão. Entre sons e silêncios, descobrem mais sobre si mesmos. EXCELENTE!! Assistam aqui. Vale muito a pena.
Manual para atropelar cachorros (ficção, 18'), de Rafael Primo. Não entendi uma coisa: há um conto de Daniel Galera com praticamente o mesmo conteúdo. Nenhuma referência? Inspiração igual? Alguém me explica essa? No blog do Daniel Galera há referência a essa adaptação, mas não vi nada no filme... Estranho, no mínimo.

22h30min - Um segundo e meio. Peça excelente! Saiba mais detalhes aqui.

00h30min - no CINEMIX, fui o que achei a roubada da noite. Sob o título "rock'n'roll", inicia-se um documentário pesado sobre um músico que se apresentaria em seguida. Quase uma hora depois do maçante vídeo, começa algo um pouco distante do que eu chamaria de Rock'n'roll. Por causa disso, perdi a oportunidade de assistir Hotel Lancaster e, por causa da imensa fila, não consegui entrar para assistir a "120 dias de sodoma". Cheguei tarde demais para conseguir lugar. Nesse momento (entre 2h e 4h da manhã) a praça estava apinhada de gente e quase não se coneguia caminhar.

04h - Ritual Íntimo - Adaptação de contos de João Silvério Trevisan. Acho que pelo meu cansaço, não me sinto capaz de produzir nenhuma crítica a respeito. Melhor não dizer nada, pois o sono era grande e, por isso, não estava em condições de pensar direito. Os atores trabalharam muito bem, mas não aompanhei muito os textos. 

05h30min - Quis ir, ainda, ver algumas apresentações no espaço DRAMAMIX, mas eu morria de fome e sono. Preferi comer um imenso lanche em um trailer a caminho do metrô e fui dormir um pouco no hotel antes de voltar para Campinas.

O que fui fazer naquele tal de "rock'n'roll"?! Mas, não dá para acertar em todas, não é mesmo?

Saldo geral? Excelente. Gostinho de quero mais... Agora só no ano que vem. Quem quiser saber mais sobre o clima da praça, visite o blog do Alberto Guzik

Ah, comprei um livro no Sebo do Bac. O cara tem umas raridades interessantíssimas. Preços justos. Vale a pena.

Ah, o livro que comprei? O primeiro do Caio Fernando Abreu: "Limite Branco", um romance que escreveu aos 18 anos. 

Agora é descansar, pois amanhã começa trabalho árduo para ganhar aquilo que a arte não dá.




 

sábado, outubro 25, 2008

Anselm Kiefer


Anselm Kiefer (nascido em 8 de março de 1945, em Donaueschingen) é um pintor e escultor alemão.

Em 1990 foi premiado com o Wolf Prize. Em 1999 a Japan Art Association o premiou com o Praemium Imperiale, por suas realizações em vida. Eis a declaração:


"Um complexo engajamento crítico com a história percorre o trabalho de Anselm Kiefer. Suas pinturas, como também as esculturas de Georg Baselitz criaram um alvoroço na Bienal de Veneza de 1980: os visitantes tiveram que decidir se os aparentes temas nazistas pretendiam ser irônicos ou se tinham como intenção transmitir as atuais idéias fascistas. Kiefer trabalhava com a convicção de que a arte podia curar uma nação traumatizada e um mundo dividido. Criou pinturas épicas em grandes telas que mobilizaram a história da cultura alemã com a ajuda de descrições de figuras como Richard Wagner ou Goethe, continuando assim a tradição história da pintura como um meio para guiar o mundo. Somente poucos artistas contemporâneos tiveram tal senso de dever da arte declarado, para reunir o passado e as questões éticas do presente, e estão em posição de expressar a possibilidade de absolvição da culpa através do esforço humano."

Desde 1992 está estabelecido em Barjac, França, e transformou uma planta industrial em um ateliê de 35 hectares, apelidado de La Ribaute. Criou nele um extensivo sistema de prédios de vidro, arquivos, instalações, depósitos para materiais e pinturas, câmaras e corredores subterrâneos.

De 1995 a 2001, Kiefer iniciou um ciclo de grande pinturas sobre o cosmo. Iniciou também um retorno ao objectual.

Anselm Kiefer, da geração pós-guerra, debruçou-se sobre as questões das origens.

O quadro é de 1995. Chama-se ESTRELAS CADENTES.
Um universo em movimento e um corpo estendido sobre a terra.
Só existe uma permanência:
a permanência da mudança.
Em Moçambique a pessoa não morre. Vira árvore.
"A dimensão humana transcende o individual. Por isso acho uma sacanagem virar a mesa."
Palestra | A morte como encantamento | Com Antonio Mourão Cavalcante
CPFL, Campinas, ontem.
Hoje vi coisas assim
A borboleta que bebia leite
A manhã que nunca começava
O dia que não ia
A vontade que não dava
O sono que não vinha.

A cordas estavam soltas
Correram os cachorros
Soltaram-se os gados
Eu fiquei parado
Porque parado sempre estive.
Dizem-me solto
Mas ao soltar-me, fico aqui.

O sonho me estupra
Mas no fim eu gozo
Tudo me fode, tudo me foge
Porque eu mesmo me desintegro
Nessas horas de não sei quando.

sábado, outubro 18, 2008

supra-sumo

As folhas das árvores
reverberam os sons da manhã
Manhã gorda
São pingos de óleo essa chuva pesada
É escuro lá fora e dentro de mim

Passarinhos incomodados
Mosquitinhos escondendo-se na minha cara
Zumbizando nos meus ouvidos.

Nesse quarto do futuro
Balanço os pés
Coço a cabeça e tomo um trago

Perdoem-me,
Não estou fazendo nada.

E é isso o supra-sumo da vida:
Deixar-se estar
Calado
Esperando os gritos do entardecer.