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domingo, dezembro 06, 2009

Verossimilhanças

Primeiro veja isso:

http://www.osvigaristas.com.br/imagens/ilusoes/sapo-ou-cavalo-76.html

Eu não cometo injustiças, porque não confio em nada do que me dizem e acho que tudo é possível...

Sinto informar, caros colegas: não existem verdades. Tudo é inverossímil. E a gente gosta de ler, ver filmes, novelas e seriados, porque eles 'criam' uma verossimilhança que não existe efetivamente na vida real.

A vida, por mais que a gente queira, é completamente surreal! Por isto a gente inventa tanta história: para fingir que vivemos em um mundo redondo. Daí o homem ter criado a mandala (sagrada) em que a gente viaja, caminha, e volta ao mesmo ponto. Isso não existe. Simplesmente a gente nunca saiu daqui. Somos meros pedregulhos com consciência e aí fingimos doer quando a natureza aquece e cisma de nos afogar ou esquentar demais.

Como rochas que somos, não devíamos temer a destruição, mas saber (e ponto) que apenas nos deslocaremos uns centímetros ou nos esfarelaremos e nos transformaremos em outros tipos de rocha longe da circularidade em que se acredita hoje. A terra não é redonda nem quadrada. É sem forma e escura... O que a gente chama de luz na terra, vem de outro lugar. Vivemos ainda na escuridão total e sem forma definida. Quem pegar o planeta nas mãos, sentirá umas pontadas das montanhas everestes... Desde quando isso é ser redondo?

Não existe dupla percepção. O que há de nossa parte é simplesmente percepção nenhuma.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Um poema, às vezes, acontece assim, como uma brincadeira, como uma falta do que fazer, um mero passatempo de férias literárias. E algumas palavras vão ficando mais sérias dentro da gente, e algumas coisas, tal qual problemas matemáticos, começam a exigir solução. Querendo manter a mente vazia, me pego pensando, jogando xadrez. Movo meus bispos - tão santos! - nas diagonais, passando tangente em assuntos centrais. Calculo jogadas de letras, palavras, sentindo os ocultos do todo sentido. Embrenho-me em meus próprios labirintos, ensaio que sou bom e me perco de mim mesmo.

Portaria

Estou vazio. Totalmente vazio.
Como quem chega ao zero,
Ao pátio, patamar inicial.
Portaria.
Depois de sair de um mítico sete
Caminho para baixo
Recebo uma mulher no quarto e,
Juntos, vamos até o fim.
Ao sairmos
Francamente
O porteiro agradece.
Partindo do zero, então,
Cada um de nós segue a própria vida lá fora
Ou finge.
Alguma coisa de mim
Ainda não partiu.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Recorte

Tô nem aí pras minhas memórias
Odeio fotos
E tudo o mais que fica
- por isso tantos recortes
E tanta preocupação com datas -
Não me lembro de nada!
E é tudo tão bom!
Precisam ver:
Minha incompetência na cara de todos
Meu beijo secreto
Meu gozo no papel-toalha
Meu choro no velho fusca
Os filhos querendo o mundo
A esposa que finge
Organizar a vida
Esse caos sem fim
Enquanto eu ali - olho do furacão
Fumaça do tabaco acompanhando o vento
Bêbado sem palavra
Falando nada que se escreva
Escrevendo nada que se leia.

22/10/09 - 2h

sábado, outubro 17, 2009

Bebê chorando na construção

Se você ouvir algum bebê chorando na construção
É porque a vida não está indo bem
As construções estão abandonadas
No meio do caminho.

O bebê chora na construção mal feita
E você não deve ir até ele:
Deixe que o bebê morra!
Antes a vida dele, que nem começou...

Se um bebê chorar na construção
É porque você não soube erguer sua vida
Não terminou nada que começou
Abandonou seus melhores projetos
E, agora, além dos ratos
Um bebê nasce e chora nessa sua construção...

Não escute o bebê.
Cale-o.
Finja que não há bebês.
Bebês são muito perigosos
(principalmente os que choram em construções).

Melhor abortar esse assunto.

Um bebê chorando em local estranho
Uma caçamba, por exemplo,
É sinal de meio caminho andado
Perto do lixo
Só falta você ignorar
Discar 190
E achar que fez sua parte
Na SUA vida.

Eu, ouvindo um choro de bebê em local estranho,
Vou iluminar-me em largo sorriso,
Não vou ligar para polícia nenhuma...
Abraçarei o bebê e, juntos, seguiremos para lugares ainda mais estranhos:
Tuberculosos e aidéticos,
Eu e meu bebê
Choraremos sobre todas as construções humanas
Que não valem uma árvore!
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Texto baseado no seguinte e-mail:

Estou repassando, acho um exagero essas coisas de seringa com doenças, mas vale o alerta para o choro do bebê por que isso chama a atenção mesmo e pode ser uma armadilha...




Se escutar algum bebe chorando perto de construções, caçambas ou algum lugar estranho que não tem movimento, não vá até o local, ligue imediatamente para policia e informe o ocorrido.


Leia até o fim é muito importante todos saberem.

URGENTE! ACONTECEU EM BAURU-SP


POLÍCIA PEDE PARA REPASSAR PARA O MÁXIMO DE PESSOAS!!!!
Até onde vai a maldade do ser humano?

O ÚLTIMO CASO OCORREU COM UMA GAROTA DE 23 ANOS, EM BAURU, INTERIOR DE SÃO PAULO. ElA estava voltando da faculdade para casa, quando ouviu um bebê chorando dentro de uma construção. Ao entrar e se aproximar da criança, recebeu uma tijolada na cabeça e desmaiou. Algumas horas depois se encontrava vendada no porta-malas de um carro em movimento. Depois, num galpão,ainda vendada, foi posto um pano contendo uma substância química, em seu nariz e boca, para que ela desmaiasse.
Os seqüestradores ligaram para a família pedindo uma certa quantia para o resgate. Como a quantia foi paga, os seqüestradores
jogaram a menina amarrada, em plena madrugada, em frente casa da
família (tudo indica que eles já perseguiam a garota há tempos ).
A família encontrou uma estranha cicatriz na barriga da garota e levou para o hospital, para que os médicos lhe examinassem. A surpresa foi que lá dentro) foi encontrado um bilhete plastificado com a seguinte frase: 'O dinheiro pode salvar a vida de sua filha, mas não pode poupá-la da morte...'.
Depois de alguns exames, descobriram que ela estava infectada com várias doenças, como:Tuberculose, Mal de Chagas e até HIV positivo!
Ela se lembra de ter levado picadas no corpo que seriam,
supostamente, seringas contendo tais doenças!


12 CASOS SÓ NO ESTADO DE SÃO PAULO. A POLÍCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO JÁ ESTÁ AVISANDO A POPULAÇÃO: NÃO PASSE EM FRENTE CONSTRUÇÕES OU CAÇAMBAS DE LIXO.
A MAIORIA DOS RELATOS CONTAM QUE TAL FATO ACONTECE NO PERÍODO NOTURNO, PRINCIPALMENTE COM CRIANÇAS OU ADOLESCENTES DE 13 A 20 ANOS.
CASOS COMO ESTE, ESTÃO OCORRENDO PELO BRASIL INTEIRO, PRINCIPALMENTE EM BAIRROS NOBRES E AO REDOR DE UNIVERSIDADES PRINCIPALMENTE EM RUAS ESCURAS. CASOS COMO ESTE OCORREM TODA SEMANA, ACREDITAM QUE O TAL BEBE CHORÃO POSSA SER FILHO DOS SEQÜESTRADORES OU ATÉ MESMO NÃO EXISTAM, SENDO APENAS VOZES DELES.
EXISTEM CASOS QUE VARIAM COM MULHERES CHORANDO.
ISSO NÃO É BRINCADEIRA. - O AVISO É SÉRIO E DEVEMOS FICAR ALERTAS NAS RUAS!
A POLÍCIA ALERTA: PASSE ESTA MENSAGEM ADIANTE PARA TODOS COM QUEM VOCÊ SE IMPORTA.
QUANTO MAIS SE ESPALHAR, MAIS CHANCE TEMOS DE VENCER CONTRA ESTAS TERRÍVEIS PESSOAS.

SE ENVIAR P/ 1 PESSOA ELA PODE ENVIAR P/ 1000.
AI VC JA FEZ A SUA PARTE.

terça-feira, setembro 15, 2009

BIG CHICO

As puxadas da gaita
Enchem-me de medo
Porque sinto minha alma
Sair do meu corpo
E seguir o som da gaita.
Nem sonho, nem nada
Só minha alma sequestrada
Ao som de um Chico qualquer.

27/08/09 - quinta-feira / 22h
Villa Miranda - Campinas
Ao som de Big Chico.

sábado, agosto 08, 2009

pensando barato

Juro que eu não queria ver apenas três leitores dos cinco que aparecem que compraram o livro pela internet. Esperava uns dez, pelo menos, porque foi tanta propaganda, foi tanta coisa, foram tão grandes os comentários positivos. O amigo que disse poder virar um filme e minha idéia de, junto com ele, escrever um roteiro. Tudo isso para, como resultado, um nada! Ninguém lê, ninguém se interessa. A vida é muito maior do que um livro. Ainda mais um mísero livro. Ridículo, mal escrito para os padrões atuais. Não queria ser nenhum best seller, mas três?!

É muito pouco para tanta coisa que fiz e passei. Dizem, para me acalmar, que cinquenta pessoas têm meu livro, por conta do lançamento. O que mais eu quereria? Que as pessoas lessem meu prospecto e comprassem o livro? O problema não é o ato da compra, mas o ato da leitura. Dos cinquenta que sei que têm o livro, uns três ou quatro o leram. Gastei dinheiro e tempo. Posso gastar mais e doar exemplares para ser lido. Penso seriamente em fazer isso. Os livros deveriam ser gratuitos como um pôr de sol. Tão lindo, tão mágico, e está aí para todos. Tudo bem que existem as bibliotecas, mas as pessoas devem se dirigir para lá. E a verdade é que ninguém se dirige. Qualquer vagabundo tem o direito a um pôr de sol sem precisar nem mesmo levantar-se de sua calçada. Eu queria que minha obra fosse assim. O problema do escritor é justamente este: ser um nada e ter consciência disso. Autoconhecimento. Eu comigo mesmo, dentro de mim, surfando nas minhas coisas e sendo cobrado por isso. “Por favor, não fique dentro de você mesmo num dia de aniversário, seja quadradinho como todos esperam das pessoas em dias como esse. Não beba, não fume cachimbo, não se tranque.”

Toda a natureza me atinge agora. A natureza humana é a pior de todas e traz esse calor impressionante que faz meu sangue circular numa pressão diabólica. Não tomo mais remédio a mais de um mês! Estourem, veias! Foda-se. Eu quieto aqui. Parado. E as veias estourando de tanta pressão. O sangue grosso, pedindo aspirinas prevents, e eu resistindo dentro de mim mesmo, explodindo em literatura, mas não é suficiente. Tenho que ser um quadrado socialmente ativo. Mas eu não sou isso. Minha gravata, joguei pela janela do automóvel, sujando o local carroçável, numa demonstração horrível de que não sou flor que serve para se cheirar de perto. Causo alergias. Cheirem-me de longe. Mas não deixem de cheirar-me: tenho o aroma da vida inteira, das podridões às mais altas esferas que um odor pode ter. Sou um daqueles lugares onde os podres odores transformam-se em deliciosos aromas. Um perfumista saberia reconhecer-me. Um estrume pode ser ótimo perfume francês. Eu sou esse estrume.

Passo minhas horas livres escrevendo as merdas que penso e lendo as merdas dos outros. É muito fácil, depois de ler, dizer que é merda. Por que leu até o final? Porque gostou? Obrigado. Afinal, quero ser lido, apesar de ser tão desagradável. Penso até em distribuir gratuitamente minhas obras. Não ganhar nada não me faz mal. O problema é pagar para ser lido. Meu salário em distribuição dos meus livros ruins, tendo tanta gente passando fome. Poderia distribuir meu dinheiro melhor, mas fico nessa coisa esquisita que sou, atrapalhando o bom andamento do mundo. Várias vezes sou punido por minhas incompetências e digo que não me importo. Digo, só. Mas é claro que me importo! Eu queria, por exemplo, ganhar a Corrida da Integração, em Campinas. Meu filho, vendo a medalha de participação, perguntou: “papai, você ganhou?” E eu, meio envergonhado, disse que não e expliquei que o bom é a corrida, a saúde, etc. Ele não ouviu. Perguntou: “em que colocação você chegou?”. Sei lá, eu disse, talvez em cento e vinte, ou cento e oitenta. Ele riu e saiu correndo, depois de apalpar minha barriga.

Como o que tenho vontade, bebo o que tenho vontade e vou vivendo nesse mundo. Preciso me privar de várias coisas, comer insípidas refeições para manter um corpo no padrão que querem para mim. Para quê? A Gisele Bundchen pode querer dar para mim se eu ficar muito bonito, mas eu não vou querer comê-la simplesmente porque não quero conhecer sua família no Rio Grande do Sul nem passar um natal terrível com aquela família loura e se achando o máximo porque tem uma filha internacional. Eu quero ficar aqui. Quieto. Parado. Lendo. Escrevendo. Sendo eu mesmo. Mas também não posso, porque a Gisele aqui de casa quer que eu tenha atitudes quadradas e pseudonormais, mas eu não consigo programar-me para amanhã. Obedeço regras no meu trabalho porque tenho que ganhar o pão, mas em casa eu faço um quadro com horário pras coisas para ver se eu consigo produzir o mínimo. Mas vem visita, vem gente estranha e eu tenho que fazer papel de gente. Gente que não sou. Li, hoje, um trecho do livro “pergunte ao pó” que me fez chorar. E eu chorei. Não posso chorar lendo nem escrevendo. Dizem que entro em “alfa” e não gostam quando estou assim. Respondo que estou feliz quando estou assim, porque em “alfa” eu sou eu. Produzo minhas merdas, penso minhas coisas e até bato minhas punhetas. Mulheres desconhecidas chupam meu pau e não vão querer cobrar nada por isso: posso ir ao vaso sanitário mijar e jogar o guardanapo com minha porra para o éter. Esse é meu “alfa”. Não preciso de ninguém nessas horas. E, quando preciso, é uma merda. “Tá vendo?” “Não dá pra viver sem depender de ninguém”. Deixem-me morrer, então. Eu não quero morrer, mas se nas horas em que preciso do prato no qual cuspo não querem pôr a comida, que me deixem morrer de fome. Quem sabe eu aprendo? Pra quem acredita em outra vida, eu voltarei cego e perneta, pensando barato, e cuspindo ainda no mesmo prato que como. Adoro meu próprio cuspe. Na próxima vida virei vomitando! Recomer pedacinhos de queijo.

domingo, julho 26, 2009

Olhos Verdes

Eu não enxergo tudo verde, apesar de ter os olhos verdes. Mas sei que transformo os olhares de quem me olha nos olhos, e esta é, atualmente, a única arma de que disponho.. O semblante silencioso, calmo e sério, e esse meu olhar que parece ser profundo só porque é colorido, encanta os incautos que não sabem enxergar além da superfície desse meu ser ignóbil. Minha docilidade advém pura e simplesmente das próprias consciências que veem palácios e princesas na aparente calma de um mar ou de um céu que nada trazem em si mesmos de verde ou de azul. Não há colorido nas transformações e, portanto, a vida não tem a cor dos meus olhos. Meu olhar profundo é pura ilusão.

quarta-feira, julho 15, 2009

Olinda

Daqui a pouco vou conhecer Olinda!

Minhas postagens no twitter

Ainda não aprendi muito bem pra que que serve esse tal twitter... Mas fico sabendo de notícias, porque sou seguidor do G1....

Abaixo estão minhas últimas postagens

  1. Aqui o ar condicionado não para desligado
  2. Daqui a pouco, conhecendo João Pessoa!
  3. Meu amigo Monteiro, meu amigo Resende, mais gente nova e tudo vai indo muito bem... Amanhã conhecerei João Pessoa!
  4. Queimado. Ardendo, pois o tempo nublado... Nada de protetor solar. O sol saiu e a conversa ia e vinha com as ondas e as cervejas...
  5. Daqui a pouco, voo para Recife! Chega de frio. Praia e céu de anil!
  6. Tá bom... O link exato é esse: http://bit.ly/13bMH1
  7. Falar nisso, Carla Bruni tá uma gracinha cantando “Anyone Else But You” em dueto com Julien Doré. Ouçam no blog http://www.oesquema.com.br/
  8. Segundo Heródoto, a cara de Sarkozy é de quem está pensando, sobre o olhar de Obama: "esse é o cara". rsrs
  9. Pensei que o Heródoto Barbeiro fosse colocar a foto do Obama olhando a bunda da moça. rsrs
  10. Preciso escrever, agora, um resumo de minha comunicação cujo tema será "A poesia fora da sala de aula". Vamos ver o que vai dar!
  11. Dor de cabeça por trás da superfície aparente e agora suando... Essa febre vai passar...
  12. Trabalhando muito com jornais... Não estou aguentando de tanto ler... E essa dor de cabeça fininha que não passa.
  13. Quatro dias sem escrever nada
  14. Acordando de madrugada. Dor de cabeça e uma gripe seca, ridícula, que não vai embora!
É isso!

segunda-feira, julho 06, 2009

Chuvas e perdas

Infelizmente peguei alguma chuva e sereno nas noites de Paraty. Dormia pouco. Vi um amanhecer na praia, lendo Bukowski. Depois, fui assistir à mesa de Alex Ross e juro que eu esperava mais. Também, um tanto ignorante em música clássica, não deu para aproveitar muita coisa. O fato é que depois do almoço eu estava com um insuportável sono e uma dor de cabeça fininha como a chuva que permancia na tarde de sábado... às 17h fui descansar, já um pouco febril e, de uma tacada só, perdi Gay Talese e Lobo Antunes. Tudo bem, não dá pra ganhar todas. Consegui, ao menos, ver uma apresentação de bonecos, chamado "Em concerto". (Aliás, nesse link, dá pra ver o vídeo de "valsa", pequeno trecho só para se ter uma idéia do poder daquele pessoal. Movimentos perfeitos). Valeu a pena, mesmo febril... Depois de uma noite de sono de suores, domingo foi dia de ir embora de um ambiente que tanto amo... Alguma poesia evoca em mim aquelas pedras tortuosas, aquele mar ali pertinho, um clima cultural transcendente... Quero voltar a Paraty de uma outra vez, quando não for época de Flip para ver se dinto a mesma coisa. Acho que a energia de todas aquelas pessoas em prol de um mesmo objetivo deixa aquele lugar mágico assim.
Apesar de chuvas e perdas, valeu muito a pena!

sábado, julho 04, 2009

MESA 10 - SEQUÊNCIAS BRASILEIRAS

No início percebi que há mais gente que acredita em Chico Buarque do que gente que não acredita em Deus. Estava um pouco mais cheio do que no dia de "Deus, um delírio". Começou lendo um trecho de "Leite Derramado" (capítulo 20, página 149). Escolheu estrategicamente um trecho em que incluía: "sexo", "negão", "edifício modernista", "polícia" e "violência urbana".

Milton Hatoum, quando começou a falar, foi deixando Chico Buarque um pouco menor. Ou um pouco maior, porque a fala literária de Hatoum junto à figura de Chico, representante de "Roda Viva", "Cálice", "Meu Guri", foi deixando as imagens mais bonitas e evocativas. Ao iniciar a leitura de seu livro "Órfãos do Eldorado", ficou explícita a diferença entre o que é literatura de verdade e uma literatura que parece não ter muito o que dizer, como a do Chico. "Na tarde úmida, um arco-íris parecia uma serpente abraçando o céu e a água." depois, na página 84: "...não falava da vida dele, há pessoas que morrem com seus segredos."
E mais:
"Dizia que o fim da tarde o inspirava e incomodava e que sentia nesse momento do dia um desejo absurdo de sofrer. Bebia duas garrafas de tinto e, antes de anoitecer, lia poemas de Cesário Verde e Manuel Bandeira. E embora meio bêbado, a voz rouca e grave dizendo: a vida passa... a vida passa... e a mocidade vai acabar."

"E também recitou um poeta francês, muito moderno, que tinha escrito poemas de amor quando combatera na primeira guerra. Os versos insuflaram ainda mais o desejo da minha amada. Quando Estiliano terminou de ler, eu disse, quase sem voz: 'isso é uma tortura'.
- É a nossa vida quando não dá certo - ele corrigiu - mas só os poetas sabem dizer."

"Ele pôs os livros na pasta de couro, levantou e disse que eu devia entender uma coisa: as paixões são misteriosas como a natureza; quando alguém morre ou desaparece, a palavra escrita é o único alento. Eu ia mandar Estiliano ao diabo! Ele, a palavra escrita e toda a poesia do mundo, mas o homem já estava na rua de terra e eu lambia lágrimas."

Simplesmente não dá para comparar as duas literaturas. Milton Hatoum é uma poesia bela. Chico Buarque... Era só o Chico Buarque.

Segundo Hatoum, foi um livro por encomenda, mas era uma história que ele já tinha ouvido falar e guardou na memória, enfim, foi uma espécie de encomenda anunciada, pois era uma história que escreveria de qualquer forma. Começou por um caminho e, quando se deu conta, tinha ultrapassado a encomenda. Deveria escrever até 25 mil palavras e já tinha passado. Teve que mudar tudo. "Essa coisa de encomenda é horrível! Nunca mais! Nunca mais faço nada por encomenda. Nem um bilhete por encomenda!". "A novela, para mim, foi um exercício de concisão".

Chico limitou-se a dizer que um livro não emenda no outro, pois quando acaba de escrever um livro, não quer mais saber de literatura. Depois de Budapeste, ficou se perguntando sobre o porquê de ter escrito sobre uma cidade que não conhecia, na qual nunca esteve. Resolveu, então, escrever sobre um tempo em que não viveu. E ficou por aí. Só nisso. Além, é claro, das obviedades sobre seu personagem velho, cuja memória recente é sobrepujada pelas memórias remotas. Sobre literatura e música popular, disse que não acredita muito nessa hierarquia. "Sinceramente, não sei se Guimarães Rosa é mais importante do que João Gilberto". Ora, sr. Francisco... Não se pode comparar frutas com automóveis... Não há hierarquia entre música e literatura. Se for assim, o terceiro lugar ficaria para a pintura, o quarto para a escultura e por aí vai?!

Tudo bem, foi bastante interessante a citação de Guimarães Rosa, ao citar o abandono do romance "A Fazedora de Velas". Romance nunca publicado sobre um velho em um casarão em Minas Gerais. Aí Guimarães foi tomado pela tristeza daquele personagem e largou o livro. Mais tarde, disse ter encontrado o casarão com o mesmo quarto que ele tinha imaginado. Chico disse sentir necessidade de sair da sombra desse velho, que até já o deixara com a perna quebrada.

Outra coisa interessante: dizer que tudo sobre o Hatoum e sobre ele mesmo já estava no Google.

Hatoum, por sua vez, disse que o romancista é um biógrafo de espectros.

Por fim, para manter sua propaganda de homem de esquerda, que pensa nas classes mais desprotegidas, não pôde, o Chico, de deixar de fazer referência ao protesto dos caiçaras que acontecera poucas horas antes do seu debate.

Bem, Leite Derramado eu já li. Agora, vou ler "Órfãos do Eldorado" e tenho certeza de que vou gostar muito mais. Não adianta também, chorar o leite derramado.

sexta-feira, julho 03, 2009

MESA 8 – SENTIDOS DA TRANSGRESSÃO

Edna O'Brien
Em conversa com Liz Calder.

(trechos da fala de Edna)

"O beijo de uma prostituta é a hóstia de toda uma população"

"O marido chega em casa e vê a mulher quase caindo da escada para pintar o teto. Ela explica: sei que você gosta de um teto, tanto que até falou de um pintor que fez isso em uma igreja, acho que na Capela Cistina."

ESSA É A MELHOR:
[a respeito dos filhos. Um dos filhos falou para a mãe]:
"Me dói a forma como você foge de nós. Sempre correndo... Sempre correndo... Será que somos leprosos?!"

"Escrevo como um sonâmbulo – não imagino que alguém vá ler."

"O Dawkins não está aqui. Diferentemente dele, eu acredito em Deus e na ressurreição."

"Cheguei a comprar uma máquina de costura para agradar ao homem com quem eu estava casada"

"Para escrever é preciso ter uma capacidade secreta de desafiar a tudo e a todos"

"eu tenho uma vida de freira"

"A paisagem na qual cresci era uma paisagem assombrada"

"Escrever é uma linguagem que brilha e tem alguma profundidade."

"A dissecação não é o que nos faz amar alguma coisa"

"A reportagem, hoje em dia, está bem melhor que a literatura"

"será que a literatura tem que ter essa monstruosidade?"

Agora LIZ CALDER:
"Meu marido saiu do quarto, depois de um dia inteiro trancado lá dentro e eu achei que ele ia morrer de tão pálido que estava. Saiu, desceu as escadas e estava pálido. Não sei se esse tipo de coisa acontece com outros escritores..."

Qual o papel da paixão na sua literatura?

O'BRIEN: Amor é saudade. Paixão é perseverança.

"você tem que ter cuidado comigo, porque sou um pouco louca."

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Tirem suas próprias conclusões.

MESA 5 – DEUS, UM DELÍRIO

Richard Dawkins em conversa com
Sirio Boccanera

SIRIO: Há muitos ateus escondidos por aí?
DAWKINS: Há muitos ateus no 'armário'. Em Oklahoma, por exemplo, cidade reconhecidamente evangélica nos EUA, três mil pessoas vieram assistir minha palestra sobre o assunto. Tenho visto, pelo mundo inteiro, a participação de um público enorme. É claro que tive resistências. Um políticvo de Oklahoma, por exemplo, tentou proibir minha palestra e banir a faculdade que tinha me convidado. "Deus, um delírio" é até um livro engraçado e eu espero que as pessoas entendam isso.
SIRIO: E o conforto da Fé? Pessoas que acham conforto na religião?
DAWKINS: Não é porque se está em uma situação confortável que a coisa seja verdadeira.
............................................
Se alguém for ficar chateado ao ler meu livro, ora, não leia.

[Sobre a situação confortável] Há pessoas que não querem saber do médico que têm uma doença fatal.

SIRIO: E as artes que sugiram da religião, como, por exemplo, a pintura de Michelangelo na Capela Cistina?

DAWKINS: Essas artes são importantes, até para entender a evolução da humanidade. Mas o fim das religiões não causaria nenhum problema, seria como os deuses gregos: ninguém, hoje em dia, acredita neles, mas continuamos a estudá-los. Sem religião, a arte vai continuar existindo, sem dúvida, pois a arte vai onde está o dinheiro, essa é a verdade. Os pintores recebiam, e bem, para fazer suas pinturas nas igrejas.

SIRIO: Pensando na vida após a morte, qual o sentido da vida?

DAWKINS: A propagação do DNA..
Claro, cada um de nós vai procurar seus próprios objetivos: ser um bom médico, escrever um livro. Afinal, esta é a única vida que a gente vai ter na vida! Vamos aproveitá-la. Não desperdice esta oportunidade em prol de "outra vida".

Acredita-se na vida após a morte – a cenoura do paraíso. Ou então a luta é para não ser queimado no inferno. E esse é o motivo mais idiota para ser moral. Tenho um amigo que, com muita espirituosidade disse certa vez:
– Você acha que Moisés, quando desceu do monte com as tábuas dos dez testamentos e leram aquele que diz "não matarás", alguém falou: "oh! Eu não tinha pensado nisso!"

Alguém, em um programa de rádio, certa vez, disse que sem Deus as pessoas sairiam matando umas às outras... Quer dizer que você só é uma pessoa correta por medo do inferno?

REVELAÇÃO, TRADIÇÃO e AUTORIDADE são os piores motivos para se acreditar em alguma coisa. Deve-se acreditar em EVIDÊNCIAS. E foi isso que disse em carta aberta à minha filha. Acho que toda criança com dez anos deveria ler essa carta. O que quero dizer é que não tenho a intenção de deixar ninguém ateu. O que eu tenho certeza é de que não existe "criança católica", mas "criança cujos pais são católicos". (aplausos da plateia)

Darwin acertou em quase tudo, menos no que diz respeito à genética. Errou tudo em genética. Ele acreditava que as pessoas se misturavam como se misturam tintas.

Naquela época vitoriana, de Freud inclusive, as pessoas eram muito preconceituosas com relação à raça e ao sexo.

Apenas na Nova Zelândia e em alguns estados da Austrália, por exemplo, a mulher adquiriu o direito ao voto ainda no século XIX. Percebe-se um racismo atroz nos romances policiais de Agatha Christie como se aquilo fosse normal. [lembrei-me de 'o caso dos dez negrinhos']

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Quando escrevi "O gene egoísta" fui mal interpretado. As pessoas costumam criticar os livros porque ouviram falar, sem ler. Quem se der ao trabalho de ler, vai perceber que o título poderia ser "O gene altruísta". O que afirmo, no livro, é que chegamos em um estágio tão alto de consciência e inteligência, que somos capazes de contruir um mundo melhor para nós mesmos. Esse é o gene egoísta. Não quer dizer, como tentam falar sobre mim, que eu sou Darwinista e como seres mais fortes (inteligentemente) devemos exterminar os mais fracos. Defendo exatamente a ideia contrária.

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Perguntaram a mim: "e se um dia, quando você morrer, der de cara com Deus? O que vai dizer?"

Ora, direi, QUE DEUS VOCÊ É? Thor? [e citou mais de uma dezena de tipos de Deus]. Depois eu concluiria: "NÃO HÁ EVIDÊNCIAS SUFICIENTES PARA DIZER QUE VOCÊ É DEUS".

MESA 3 - VERDADES INVENTADAS

Arnaldo Bloch
Tatiana Salem Levy
Sérgio Rodrigues
MEDIAÇÃO: Beatriz Resende

SÉRGIO: [interessante a descrição dele sobre a Batalha da Praça da Sé, sobretudo a 'velha' quando dialogava com o personagem Xerxes e ele ia fugindo dos estrondos dos tiros...
– Tenha coragem... Diz a velha.
– É que eu tenho que ir ao banheiro – mente Xerxes
– Já sei – diz ela – Está se cagando...

Achei ótima essa conversa com um "revolucionário".

MEDIADORA: Falem do processo criativo.

ARNALDO: escrevi o livro entre 2001 e 2007. Mas meu processo começou antes... [e narrou histórias de infância].

TATIANA: [com bastante tensão na voz] A escrita, para mim, tem sangue. Como disse Nietzsche: "precisamos transformar história em sangue misturando nosso sangue com os dos antepassados..."

SÉRGIO: A diferença entre mim, Tatiana e Arnaldo é que eles trabalham com material familiar. Ao contrário de mim, pois não sou parente de ELZA, muito menos de PRESTES, etc. Escrevi esse livro por encomenda e em menos de um ano. Houve muita pesquisa e tive até uma auxiliar. Parei tudo para escrever o livro.
Acredito que a ficção tem muito mais verdade que a realidade.
Aliás, a realidade não existe. Isso é uma notícia importante de se dar aqui.
As pessoas tendem a confundir ficção com mentira.
O inseto de Kafka, por exemplo, não é mentira, mas uma realidade monstruosa. (aplausos)

MEDIADORA: sobre a coragem de desnudar-se nos livros.

ARNALDO: Depois da notícia de que a realidade não existe, informo que "Biografias Definitivas" não existem. Nenhuma biografia pode ser definitiva. No meu livro, optei por dar voz às subjetividades...

TATIANA: Tive coragem não por expor minha vida erótica, por exemplo, porque não é isso que vocês vão encontrar no livro [em resposta à referência feita pela mediadora]. Mas coragem de expor o que vai muito dentro de mim, de colocar meu sangue ali.

SÉRGIO: O maior risco, para mim, era enfrentar problemas políticos, pois ressuscitar uma história que sempre deixou de ser contada pela esquerda por motivos óbvios e que não foi contada pela direita por incompetência, colocava-me em situação crítica. O maior risco era conseguir que o texto não caísse em reducionismo ideológico de nenhuma das partes. A busca por essas nuances cinzentas entre o preto e o branco, entre o certo e o errado, essa foi a maior dificuldade. Mas o livro foi bem sucedido. Quem for ler com os olhos livres vai perceber que não há intenção de defender ponto de vista algum.

MEDIADORA: Perguntas da plateia. 1) Quais os elementos que levam uma obra a ser verossímil, empática e emocionante ao mesmo tempo?

"não sei" "não há fórmulas"

Nessa resposta, ficaram evidentes as palavras "verossímil", "empática" e "emocionante" e os escritores brincaram o tempo todo com isso.

MEDIADORA: Ao voltar ao passado, do que vocês precisaram se livrar?

TATIANA [reagindo na hora, sem tempo de pensamento]: Da chave. (risos da plateia).

"Passar o peso do ombro para o ventre".

ARNALDO: Se a Tatiana tentava se livrar da Chave, eu tentava me livrar do útero.

SÉRGIO: Olha, eu não tava tentando me livrar de nada. Até mesmo pelas características do livro. Talvez eu tentasse me livrar de um fardo. Criar uma consciência de coletividade, criar ou destruir mitos, o que talvez ajude o Brasil a sair dessa, mas sou muito cético com relação à capacidade da literatura de mudar alguma coisa. Ainda mais em um país como o nosso, com tão pouca leitura.

MESA 2 - SEPARAÇÕES

Rodrigo Lacerda
Domingos de Oliveira
MEDIAÇÃO: Paulo Roberto Pires

Domingos : Períodos de separação são altamente produtivos. Eu tenho 5 casamentos e 5 separações. E sempre a gente sofre muito.
Na primeira, desarticulei-me inteiro. Andava nas ruas e parecia que os prédios cairiam em cima de mim. Sofri muito. DESARTICULEI.
Na segunda separação. Sofri muito.
Na terceira separação. Sofri muito.
Na quarta separação. Sofri muito.
[estou resumindo, é lógico]
Na quinta... Se na primeira, eu me desarticulei, nessa eu DESAGREGUEI.
Foram malditas mas necessárias passagens.
Todos nós, amando e desamando, somos carneirinhos indo para o abate.

Sobre separação, há três indagações:
1) Por que o amor acaba? [e ele discorreu sobre o assunto por uns minutos]
2) Por que dói tanto quando o amor acaba? (por que, afinal, nos dilaceramos? E o que dói? Dói pelo que poderia ser e que não foi, dói pelo que fantasiamos. Os amantes sofrem como cães danados. Quando se ama, perde-se a liberdade, não tem jeito. Mas ter a liberdade, ficando sozinho, dói muito. Dostoiewski: 'não há nada que eu deseje mais que a liberdade, mas não há nada mais que doa tanto'.
3) Esxistirá mesmo um grande homem só?
Achei a conclusão do meu filme 'Separações' quando percebi a semelhança entre homens apaixonados e doentes terminais. Os 'micos' que a pessoa paga para ter seu amor...

RODRIGO LACERDA: No livro 'Outra Vida' mostro as situações corriqueiras, banais... Extrair significados mais profundos do cotidiano, é o que eu faço. Quem não consegue fazer isso é prisioneiro da própria mediocridade.

DOMINGOS: Não há banalidade no mundo. Nenhum acontecimento é banal; a questão é você enxergar mais de perto ou mais de longe.
Não é preciso conhecer a vida para conhecer a arte, mas é preciso conhecer a arte para conhecer a vida.
Tenho tantas coisas para contar que acredito que sejam úteis para as pessoas se eu contar.
Quando escrevo, tento não estar ali, mas mais próximo do incosciente. Depois, na hora de reorganizar é terrível!
Acho tudo uma merda. É uma grande dor. Mas, como a dor, acontece o mesmo: se não mata, passa.
Depois de um tempo, você vira meio 'cavalo' dos personagens: eles começam a escrever por você. Você vira uma espécie de 'cavalo' do inconsciente coletivo.
Acredito que exista uma TERRA DAS PEÇAS PRONTAS, ou TERRA DAS OBRAS DE ARTE PRONTAS. Chega um momento em que a gente já recebe tudo pronto. Quando a gente atinge esse estágio, é porque será uma boa obra.

RODRIGO: Os personagens não se rebelam contra mim. Nunca gostei dessa história, pois se quisessem tomar minha vez, eu diria: pegue essa lista e vá às compras. Depois de um tempo entendi o que os escritores diziam. não é que os personagens dominam, mas vão criando personalidade...

MEDIADOR: a identidade com os personagens.

DOMINGOS: Sobre um roteiro de filme policial que estou fazendo, certa vwez pensei em abandonar porque eu não conseguia sair de onde estava. Liguei para um amigo e contei o problema, dizendo: Não posso escrever sobre essa gente, nunca senti essas coisas, não consigo. Recebi a seguinte resposta tranqüila demais para mim: "Domingos, eles são iguaizinhos a nós". Aí eu entendi e consegui continuar.

RODRIGO: Em "outra vida" eu queria escrever sobre personagens totalmente diferentes de mim.

MEDIADOR: Domingos disse, com outras palavras, que toda arte é uma espécie de autoajuda. Explique isso melhor.

DOMINGOS: Eu sempre quis escrever um livro de autoajuda. Um LIVRO IMORTAL DE AUTOAJUDA. Você chega nas livrarias e nas prateleiras principais só há autoajuda. Principalmente nos aeroportos. (risos na platéia)

[Continua daqui a pouco: agora tem Chico Buarque.]

Continuando...

DOMINGOS: Sou a favor da VIDA! Mesmo quando estou deprimido, com vontade de morrer (o que acontece duas ou três vezes por semana, por sou normal), já tenho minha convicta posição.
"Sobre a questão da vida. não é para discutir, é para decorar"

MEDIADOR: sobre o universalismo. Partir do particular para o geral...

DOMINGOS: Isso é uma discussão ultrapassada! Tchecov já disse: quanto mais particular, masi geral. Todo mundo já sabe disso. É como discutir a existência de Deus. Não cabe mais. Pouco importa se Deus existe.

[depois de um tempo, Domingos pergunta]:

"não vamos passar pras perguntas não?"

[Outro momento interessantíssimo foi quando ele pegou o microfone errado e virou a mão para que ficasse certo. Muita gente riu. Ele ficou falando com a mão virada, mas o discurso era tão consistente que um minuto depois ninguém mais lembrava que ele estava segurando o microfone de maneira torta.]

DOMINGOS: Eu sempre que posso, falo pros artistas sobre o segredo da produtividade: é só acabar tudo o que começa. Só se vai saber se é uma merda ou não depois de pronto, que é quando você mostra pros outros.
[sobre a realidade e não-realidade]: A diferença entre estar mais perto da realidade é o grau sde fantasia que se quer viver. Eu escolho o mais alto.

PARATY FLIP mesa 1

Não entendo o porquê de atravessar um rio para comprar ingresso. Bilheteria com poucos caixas (quatro) e as pessoas que chegam em grupo, ali, na hora, começam uma reunião para decidir o que vão ver, os melhores horários, etc... Não fazem uma previsão? Eu cheguei no caixa de disse: quero as mesas: tal, tal e tal... Demorei menos de cinco minutos. As pessoas decidiam na hora. Qual é o interesse desse povo na FLIP?

MESA 1: NOVOS TRAÇOS
Rafael Coutinho
Fábio Moon e Gabriel Bá
Rafael Grampá
MEDIAÇÃO: Joca Reiners Terron.

Não me interesso por história em quadrinhos, normalmente... Mas obtive coisas interessantes da discussão.

RAFAEL GRAMPÁ: Não me atraio por histórias urbanas, de pessoas ou mesmo autobiográficas. Crio uma realidade própria. [disse isso em resposta a uma pergunta sobre escrever sempre histórias em que se degolam pessoas]. Gosto de criar uma realidade própria porque o papel aceita tudo...
MEDIADOR: Em quanto tempo se desenha uma página?
RESPOSTAS DIVERSAS: "meia por dia"... "se eu fizer uma por dia estou satisfeito"... "uma a cada três dias e já fico feliz"... Rafael Coutinho, sempre com muita propriedade, falou da relatividade dos desenhistas, pois essa variação de tema depende, também e muito, do material utilizado.
MEDIADOR: O que acham da crescente utilização dos quadrinhos para o cinema?
"dinheiro"
"O cinema precisa de material sempre, daí a utilização de romances para o cinema... Os quadrinhos são, em princípio, pré-testados visualmente"
"Sem contar o aproveitamento em canecas, lapiseiras, lancheira das crianças..."
"O autor de Calvin e Haroldo não permitiu o licenciamento de seus desenhos para canecas e coisas afins porque não queria que seus desenhos fossem desculpas para produzir coisas".

[(sobre deixar de produzir o Calvin) "Esta não é uma decisão nem fácil nem recente, e eu saio com uma certa tristeza. Porém meus interesses mudaram de direção, e eu pretendo trabalhar agora em um projeto com menos compromissos artísticos. Eu ainda não decidi sobre futuros projetos, mas minhas relações com a UPS (Universal Press Sindicate) vão continuar."

Na Wikipédia: O autor ainda lutou contra a pressão de editores para comercializar seu trabalho, algo que ele achava que iria "diminuir" sua tira.[8] Ele recusava-se a comercializar suas criações, dizendo que colar imagens de Calvin e Hobbes em canecas, adesivos e camisetas à venda desvalorizaria os personagens e suas personalidades.[9] Ele também recusou-se a permitir que fosse feita uma versão em desenho animado da tira. Watterson costumava criticar a decisão de Jim Davis de licenciar sua tira Garfield em tantos produtos, dizendo que isso "diminuiria" a tira [carece de fontes?].]

MEDIADOR: sobre a crescente adaptação de obras da Literatura Brasileira para os quadrinhos e das bancas para as livrarias.

"Por conta da durabilidade das obras. Nas bancas, a coisa acabava logo. Na livraria, além de chamar a atenção para a obra literária adaptada, pode ser usado nas escolas"

MEDIADOR: Seria possível fazer um romance como o de Spielgeman, em que ele desenha ratos como judeus e gatos como nazistas, sem os desenhos?

[Maus: A Survivor's Tale é um romance gráfico produzido pelo estadunidense Art Spiegelman que narra a luta de seu pai, um judeu polonês, para sobreviver ao Holocausto. O livro também fala do relacionamento complicado do autor com seu pai e de como os efeitos da guerra repercutiram através das gerações de sua família. Em 1992 Spiegelman foi agraciado com um "Prêmio Especial Pulitzer": tal categoria foi proposta pois o comitê de premiação não se decidiu se categorizava Maus como uma obra de ficção ou biografia.

Spiegelman retrata diferentes grupos étnicos através de várias espécies de animais: Os judeus são os ratos (em alemão: maus), os alemães, gatos, os franceses, sapos, os poloneses, porcos, os americanos, cachorros, os suecos, renas, os ciganos, traças, os ingleses, peixes, os brasileiros, papagaios, . O uso de antropomorfismo, uma técnica familiar em desenhos animados e em tiras de quadrinhos, foi uma tirada irônica em relação às imagens propagandistas do nazismo, que mostravam os judeus como ratos e os poloneses como porcos. A publicação na Polônia teve de ser adiada devido a este elemento artístico.

Grande parte do livro foi publicado em série na revista RAW, editada por Spiegelman. Foi então publicado em duas partes, antes de finalmente ser integrado em um só volume. Um CD-ROM com a história também existe, embora tenha saído de circulação.

O livro trata do anti-semitismo. O termo usado pela primeira vez por Wilhelm Marr, designa uma aversão irracional, um ódio gratuito e sem a menor razão pelo povo judeu. Se pararmos para analisar a origem semnantica da palavra, o termo está incorreto pois semitas não são somente os judeus, mas também os árabes. Esse ódio pelos judeus vem de longa data. Os gregos, romanos e babilônios queriam proibir as crenças religiosas do judeu. A Igreja Católica perseguiu os judeus na época das cruzadas. Já no século XX foi a vez da Alemanha nazista perseguir os judeus - exterminando milhões deles.]

FONTE: WIKIPEDIA



"O problema seria ter que, a todo instante, descrever quem eram os ratos e quem eram os ratos, para que o leitor ficasse se lembrando. Isso não acontece nos quadrinhos, já que antes da leitura, os animais estão ali representados."


MEDIADOR: obre a proibição de quadrinhos nas escolas... Qual o tipo de preconceito?

"O problema é que as pessoas ficam com a "Turma da Mônica na cabeça e acham, sempre, que quadrinho é pra criança – sempre. [daí o mau resultado nas escolhas]."

"Há também o humor de protesto da década de 70 e o humor sujo da década de 80 (em revistas como Chiclete com Banana)"


Portanto, os quadrinhos sempre têm todos esses preconceitos: ou são infantis, ou são sujos.



domingo, junho 28, 2009

Michel Jackson Bukowski

Se Charles Bukowski morreu em 1994...

Isso significa que ele viu o mito do Michael Jackson.

Se ele pensa isso dos dinossauros... Quem era Michael Jackson para ele?

Hahahahaha!

Destruição

"Cada espécie destrói a si mesma. O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só restou um e o filho da puta morreu de fome!"

CHARLES BUKOWSKI


Hahahahaha. Fazia tempo que eu não ria tanto! AMEI.
Tive meu primeiro orgasmo intelectual...
Depois disso, definitivamente, posso escrever de um tudo!

sexta-feira, junho 26, 2009

Tinta

O sangue pra sempre escorrido e pisado
Pelas madeiras dessa cruz de Cristo
Bem incrustado e absorvido
Por seus irmãos bem assim encorpados

Não coaduna com meus pixéls -
Darwin mostrava o que bem era isso:
Um pensamento em evolução
Não há infernos e não há mais céus

Sem engenheiros e arranha-céus
Sem aviões e nenhum mais perdão
Ainda que a morte nos chegue mais perto

Ainda que os sons do amanhã digam não.
Sonho que morro em cruz de concreto
E esse meu sangue espalhado no chão.

sábado, junho 20, 2009

Regulamente

Mente, linda mente
Lindamente minha
Dada à mentira
Mente, pura mente
Puramente minha
Que faz ficção do que é real
Mente! Oficial mente
Oficialmente minha é minha mente
Que faz questão de ser aquilo que não é
Verdade! Juro!
Sobre a Bíblia e sob a Bandeira
Simples, mente... É simples!
Mente minha, simplesmente
Mente, cumprindo ordens do Corpo.
Não só mente a Natureza, burra,
Carbonizando o ar da noite.
Somente eu carbonizado
Pela coragem de ser eu mesmo
Enquadrado total
Mente
No artigo primeiro do regula
Mente.

quinta-feira, junho 04, 2009

LUA

Vi muitas vezes o pôr do Sol
Vi muitas vezes a lua sumir-se...

Mas essa Lua, pouco antes das quatro da manhã, foi a melhor que já vi em toda minha vida até agora.

Linda, foi-se aos poucos, alaranjada, sumindo no horizonte a dizer-me:
O Sol está por vir.

E eu, tiritando de frio, não pude entrar de volta em minha casa antes de mandar-lhe um beijo.

Agora, nesse escuro gelado, só me resta dormir um pouco
e sonhar com os astros

a cabrocha

e o violão!

segunda-feira, junho 01, 2009

A cultura brasileira no paredão

O pau come pra todos os lados neste desabrido diálogo de Aldir Blanc e Marcelo Mirisola sobre as “ostras” da cena cultural do país. Discorde, concorde, conteste, comente, mas não deixe de ler.

http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=12&cod_publicacao=28363

Muito interessante.

domingo, maio 31, 2009

A bíblia diz...

Tenho recebido no meu perfil falso, do Dimas, muitas orientações bíblicas dos evangélicos e tenho deletado, simplesmente, mas agora co-incidiu de aparecer um youtube com um comentário no perfil do Dimas.
O comentário era:

maximilian:

E ai meu brother, o caminho que você estar seguindo é muito cruel, não va por ele, pois no início pode parecer bom, mais tenha certeza de uma coisa, o fim vai ser cruel se você não abndoná-lo a tempo. O diabo, ele quer destruir o ser humano, sabe porque? porque ele odeia Deus e sabe que não pode com Deus, então ele parte para o que Deus criou, que somos nós, sabe como é que ele age? ele sega o nosso entendimento para que não entendamos a verdade, mais você pode me perguntar o que é a verdade, a verdade estar contida em um homem que disse, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, quando a verdade sobre tudo o que você segue ser exposta, você vai descobrir a mentira que este caminho prega. Sabe quem é a verdade? Você sabe? A verdade é Jesus de Nazaré. Meu irmão, Ele morreu por você e por mim, para que venhecemos viver a verdade. Siga a Jesus e abandone este caminho, pelo amor de Deus o mais rápido possível. Deixo para você um abraço e que Deus te abençoe

e o youtube é:
http://www.youtube.com/watch?v=e8MWUW5yd-Y&feature=player_embedded

vjam se não tem a ver....

quarta-feira, maio 13, 2009

Leitura:

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Jogo da Amarelinha, Cortázar

quinta-feira, maio 07, 2009

BAOBÁS

Você quer resolver o problema
Ou prefere fazer um show?

Para shows sempre há público
Para problemas... Há que caminhar no deserto...
Sentir sede
Não beber água

E receber mijadas na cara!

Até que, raízes à mostra,
Todos estejam convencidos e possam dizer, sem pensar:

Preservaremos os baobás!
Sempre.

quinta-feira, abril 30, 2009

O livro no espaço triste

Estou em busca do documentário 'ecrire', sobre Marguerite Duras. Não encontro a não ser o livro. E em francês, o que me obrigará a lê-lo com gramática e dicionário ao lado, pacientemente, como quem tem a eternidade pela frente. Acho que ao final acabarei aprendendo a, pelo menos, ler em francês.

Nas minhas buscas deparo-me com o blog da Elisa.
Não sei explicar...

Melhor ir até lá e ver e ouvir com seus próprios sentidos.

http://livrotriste.blogspot.com/


.

segunda-feira, abril 20, 2009

Arara

A arara que pendura a última moda
Pendura também o soro com o remédio
E o chão da loja de roupas é o mesmo de um hospital.

No meu braço levo espetada essa agulha
Com a seiva que leva ao meu corpo
A última moda de Paris
Das américas
Do mundo inteiro.

Entro no cubículo - que é meu quarto -
Fecho a cortina de pano preto do luto
E experimento aquilo que me enfiaram nas veias:
Um tailleur, uma gravata, umas calças
Com as cores do não-sei
Do duvido...
E saio na rua assim vestido
Palhaço de mim mesmo
Em um circo de todos nós.

sábado, abril 18, 2009

Da série: "sem capacidade para criar coisa alguma"

Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar.
(Erich Fromm)

quarta-feira, abril 15, 2009

Da série: "sem capacidade para criar coisa alguma"

Lança o teu pão sobre as águas
porque depois de muitos dias
o encontrarás.
(Eclesiastes 11.1)

segunda-feira, abril 13, 2009

Exame em mim mesmo

Sem capacidade para criar coisa alguma
Neste exato momento
Ligo um som alto na minha alma
E escuto Chico Buarque
Em meio ao Leite Derramado:
(canto junto)

Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui
Eu não tenho nada, quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada
Quero ver Irene dar sua risada
Irene ri, Irene ri, Irene ri
Irene ri, Irene ri, Irene riiiii
Quero ver Irene dar sua risada!

sexta-feira, abril 03, 2009

Infantaria de sonhos

Você faz o quê todo dia
Desde que nasce até a morte?
Acorda, joga os dados e vai?
Ou finge que acorda
Passa o dia dormindo pelos cantos
Contando as horas para voltar a dormir?
Acorda, dá um sorriso
E daí em diante começa a aborrecer-se?
Ou já acorda aborrecido
Tem o dia atribulado
(como o tem todos os homens)
E vai dormir atordoado
Por um remédio qualquer?

O que você faz durante o dia?

Trabalha?
Duvido!
Cumpre obrigações duvidosas.
O seu trabalho está dentro de você
Nesses momentos supremos
Que você insiste em amortecer
Quando deveriam mais vibrar
Bater, quebrar o chão,
Fazer buracos no azul
Expandir-se até o fim do mundo!
Os momentos supremos não podem ser adormecidos
Devem estender-se por aí
Batendo em paredes
Quebrando vidraças
Com a calma franca
Da fumaça de um cigarro.

Fumo.

O mundo é um fumo!
A vida é um fumo!
O sol, o sonho, minhas visões...
Tudo fumo disperso em poeira
Tudo som de fonemas distantes.

O que eu faço todo dia?

Crio, aos pouquinhos, um grande exército
Milhares e milhares e milhares
De poemas-infantes

Uma verdadeira infantaria de sonhos!

02/04/2009

domingo, março 22, 2009

Que time é teu?

Nossa! Todo o Corinthians?
É muita gente pelo seu rabo a dentro
E nem é Corinthians...
É mais a noroeste
Entra de lado e empata
Empata foda, empata tudo
Empata tua vida!
E tu achas que um gole gelado de cerveja
Vai deixá-lo um homem feliz
Risonho e doido
Por uma vida que não te quis.

07/03/09
A liberdade tem asas
Porque estou preso ao chão
A liberdade é uma ideia
Não tem cheiro, não tem volume
Mas, dizem, tem asas!
Meu pulo ainda é curto
A gravidade ainda é forte demais para mim
E ver a liberdade solta por aí
Traz à minha consciência
A condição completa de mim mesmo:
Estar preso é melhor
Porquanto não há liberdade
Entre os homens que andam à esmo
Prendo-me e até ajudo a enterrar as âncoras

Meu corpo inerte, bola de carne,
Precisa dormir muito
Enquanto minha consciência
Alada
Subverte o poder das gravidades.
Escrevo meu nome no papel e digo a todo mundo que não estou escrevendo. Copio sonhos, copio os pensamentos que vêm prontos para mim. Copio a vida. Copio o mundo. Mas minha cópia não é fiel, pois não sou desenhista, nem mesmo se fosse, não saberia retratar isso tudo. Aliás, o mundo precisa retratar-se com a gente. Essa gente toda que precisa do mundo para sobreviver.

07/03/09
Caem
Os pedaços de mim
A poesia engrossa
E eu não sei quem sou
Caminho em cadeira de rodas
(Sou levado por outrem)
A minha vida nunca foi minha
O meu sonho nunca foi meu
Caminho rodando à esmo
O sol me queima demais
A chuva me molha muito.

15/02/09

sábado, março 07, 2009

O fotógrafo, de Cristóvão Tezza

...refazer a própria vida em cada almoço que preparava; picando o alho para o arroz branco, descobriu que era infeliz; limpando a carne da gordura, que era triste; queimando a mão na panela, que era burra; errando a colher de sal, que era só, sem estar só; experimentando o molho ferrugem, sentiu, uma descoberta angustiante, a distância estúpida, silenciosa e eterna entre ela e seu fotógrafo...

quarta-feira, março 04, 2009

LANÇAMENTO DO LIVRO!!!

Depois do lançamento virtual e apagado na net, em 2008, vem agora o lançamento em 'carne e osso' (rs)

ESTÁ CONFIRMADO!

o lançamento do livro
'amortebeijoparasempre'

ocorrerá numa quarta-feira
dia 08 de abril de 2009
na Casa São Jorge
Às 18h30 - Campinas-SP
http://www.casasaojorgebar.com.br/localizacao.htm

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Camille Paglia, Daniela Mercury, Salman Rushdie

Essa busca de Camille Paglia por Daniela Mercury lembrou-me uma crônica de Veríssimo há alguns anos, quando Daniela fazia propaganda de uma cerveja. Disse Veríssimo:

essa coisa de propaganda funciona mesmo. Vejo na TV a propaganda da cerveja e me dá uma vontade de comer a Daniela Mercury
!

Tenho acompanhado Camille Paglia meio de longe. E sempre gosto quando ela aparece.

Mas o mais interessante está no MAIS da Folha de S. Paulo de ontem (domingo). Salman Rushdie. Um escritor de verdade. Com todas as denotações e conotações que a sentença pode ter. Vale a pena ler a entrevista!

domingo, fevereiro 22, 2009

LANÇAMENTO: 'amortebeijoparasempre'

Depois do lançamento virtual e apagado na net, em 2008, vem agora o lançamento em 'carne e osso' (rs)

Provavelmente o lançamento do livro

'amortebeijoparasempre'

ocorrerá numa quarta-feira
dia 08 de abril de 2009
na Casa São Jorge
Às 18h30 - Campinas-SP

domingo, fevereiro 15, 2009

Cultura e Dinheiro

Preciso acender a churrasqueira, dê-me um pedaço do jornal... Classificados... Dinheiro.

A última palavra acendeu os ânimos.

"você não dá importância, mas nenhuma sociedade vive sem dinheiro. Todo mundo vive sem Cultura, mas ninguém vive sem Dinheiro"

Respondi, na lata:

"Cite uma cidade que viva sem cultura (se conseguir, pensei eu), e eu lhe trarei pelo menos três que vivem sem dinheiro".

Ficamos sem nos falar o dia inteiro.
Eu com minha cultura.
Ela com seu dinheiro.

GANCHOS

Trabalho fabricando ganchos
Milhares e milhares de ganchos saem da minha fábrica
Porque milhares e milhares de pessoas
Precisam pendurar coisas.

Deixar tudo ao alcance das mãos

Meus ganchos são fortes
Podem ser usados para reboque
Puxar coisas para si

Podem não servir para nada
E coisas engancharem-se ali
Tábua de salvação

Trabalho fabricando ganchos

Não me entrelaço a coisa alguma…
Não há tempo a perder!
Mais ganchos são necessários:
E a vida não tem fim –
Cruzes!
Sonhos!
Páginas!

Tudo se fabrica
Tudo se inventa.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Estou cansado, muito cansado
Dessas luzes amarelecidas das ruas
Dos bares escuros com hora para fechar
Dos bêbados escurraçados de suas próprias ilhas.

Estou cansado, só cansado
De vagar por uma cidade de pouca luz
Onde o mais branco é o mais morto:
Gélidas sorveterias tão claras!
Lá eu não quero escrever
Lá eu sou doce e frio
E sinto muito sono
Mais vontade de dormir.

Não quero uma cama quente
Nem mesmo aquela com o sexo fácil
Fingindo tão completamente
Que chega a fingir que é frágil
A fragilidade que deveras sente.

Eu quero continuar buscando
Melhores luzes para o meu caderno
E no meu caminhar insano
Só encontro vozes distantes
Chuvas esparsas
E um céu amarelo.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ao alcance da mão

Minha vida é tranquila
Com esse abjeto
Dentro do armário

Não gosto de vê-lo solto
Assim, tão desenvolto
Rindo à toa por aí

Vocês não imaginam minha luta:
Ele bebe
Ele fuma
Ele fede
Ronca e tem mau hálito
Toda sua alegria é teatro
Ele é triste
Doente
Vil.

Preservo sua vida porque o amo
Por isso prefiro-o guardado
Trancado
Soluçando em lágrimas
Mas muito bem tratado
Barbeado
Com dieta balanceada
Um quintal bem cercado
E tudo o mais bem arranjado
Por mim.

Rio de Janeiro

Madrugada
Eu fazendo amor
Durante, narrativa pura
As faixas brancas sob nossos corpos
A gente rolava atravessando a rua
Por baixo, um metrô
Por cima, os olhares mendigos
Carregadores do nosso papelão
Avenida Presidente Vargas
De fora a fora
Bem ali
Pouco antes da Central do Brasil.