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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Estou cansado, muito cansado
Dessas luzes amarelecidas das ruas
Dos bares escuros com hora para fechar
Dos bêbados escurraçados de suas próprias ilhas.

Estou cansado, só cansado
De vagar por uma cidade de pouca luz
Onde o mais branco é o mais morto:
Gélidas sorveterias tão claras!
Lá eu não quero escrever
Lá eu sou doce e frio
E sinto muito sono
Mais vontade de dormir.

Não quero uma cama quente
Nem mesmo aquela com o sexo fácil
Fingindo tão completamente
Que chega a fingir que é frágil
A fragilidade que deveras sente.

Eu quero continuar buscando
Melhores luzes para o meu caderno
E no meu caminhar insano
Só encontro vozes distantes
Chuvas esparsas
E um céu amarelo.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ao alcance da mão

Minha vida é tranquila
Com esse abjeto
Dentro do armário

Não gosto de vê-lo solto
Assim, tão desenvolto
Rindo à toa por aí

Vocês não imaginam minha luta:
Ele bebe
Ele fuma
Ele fede
Ronca e tem mau hálito
Toda sua alegria é teatro
Ele é triste
Doente
Vil.

Preservo sua vida porque o amo
Por isso prefiro-o guardado
Trancado
Soluçando em lágrimas
Mas muito bem tratado
Barbeado
Com dieta balanceada
Um quintal bem cercado
E tudo o mais bem arranjado
Por mim.

Rio de Janeiro

Madrugada
Eu fazendo amor
Durante, narrativa pura
As faixas brancas sob nossos corpos
A gente rolava atravessando a rua
Por baixo, um metrô
Por cima, os olhares mendigos
Carregadores do nosso papelão
Avenida Presidente Vargas
De fora a fora
Bem ali
Pouco antes da Central do Brasil.