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quinta-feira, abril 30, 2009

O livro no espaço triste

Estou em busca do documentário 'ecrire', sobre Marguerite Duras. Não encontro a não ser o livro. E em francês, o que me obrigará a lê-lo com gramática e dicionário ao lado, pacientemente, como quem tem a eternidade pela frente. Acho que ao final acabarei aprendendo a, pelo menos, ler em francês.

Nas minhas buscas deparo-me com o blog da Elisa.
Não sei explicar...

Melhor ir até lá e ver e ouvir com seus próprios sentidos.

http://livrotriste.blogspot.com/


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segunda-feira, abril 20, 2009

Arara

A arara que pendura a última moda
Pendura também o soro com o remédio
E o chão da loja de roupas é o mesmo de um hospital.

No meu braço levo espetada essa agulha
Com a seiva que leva ao meu corpo
A última moda de Paris
Das américas
Do mundo inteiro.

Entro no cubículo - que é meu quarto -
Fecho a cortina de pano preto do luto
E experimento aquilo que me enfiaram nas veias:
Um tailleur, uma gravata, umas calças
Com as cores do não-sei
Do duvido...
E saio na rua assim vestido
Palhaço de mim mesmo
Em um circo de todos nós.

sábado, abril 18, 2009

Da série: "sem capacidade para criar coisa alguma"

Somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, destruição, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar.
(Erich Fromm)

quarta-feira, abril 15, 2009

Da série: "sem capacidade para criar coisa alguma"

Lança o teu pão sobre as águas
porque depois de muitos dias
o encontrarás.
(Eclesiastes 11.1)

segunda-feira, abril 13, 2009

Exame em mim mesmo

Sem capacidade para criar coisa alguma
Neste exato momento
Ligo um som alto na minha alma
E escuto Chico Buarque
Em meio ao Leite Derramado:
(canto junto)

Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui
Eu não tenho nada, quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada
Quero ver Irene dar sua risada
Irene ri, Irene ri, Irene ri
Irene ri, Irene ri, Irene riiiii
Quero ver Irene dar sua risada!

sexta-feira, abril 03, 2009

Infantaria de sonhos

Você faz o quê todo dia
Desde que nasce até a morte?
Acorda, joga os dados e vai?
Ou finge que acorda
Passa o dia dormindo pelos cantos
Contando as horas para voltar a dormir?
Acorda, dá um sorriso
E daí em diante começa a aborrecer-se?
Ou já acorda aborrecido
Tem o dia atribulado
(como o tem todos os homens)
E vai dormir atordoado
Por um remédio qualquer?

O que você faz durante o dia?

Trabalha?
Duvido!
Cumpre obrigações duvidosas.
O seu trabalho está dentro de você
Nesses momentos supremos
Que você insiste em amortecer
Quando deveriam mais vibrar
Bater, quebrar o chão,
Fazer buracos no azul
Expandir-se até o fim do mundo!
Os momentos supremos não podem ser adormecidos
Devem estender-se por aí
Batendo em paredes
Quebrando vidraças
Com a calma franca
Da fumaça de um cigarro.

Fumo.

O mundo é um fumo!
A vida é um fumo!
O sol, o sonho, minhas visões...
Tudo fumo disperso em poeira
Tudo som de fonemas distantes.

O que eu faço todo dia?

Crio, aos pouquinhos, um grande exército
Milhares e milhares e milhares
De poemas-infantes

Uma verdadeira infantaria de sonhos!

02/04/2009