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sexta-feira, novembro 06, 2009

Um poema, às vezes, acontece assim, como uma brincadeira, como uma falta do que fazer, um mero passatempo de férias literárias. E algumas palavras vão ficando mais sérias dentro da gente, e algumas coisas, tal qual problemas matemáticos, começam a exigir solução. Querendo manter a mente vazia, me pego pensando, jogando xadrez. Movo meus bispos - tão santos! - nas diagonais, passando tangente em assuntos centrais. Calculo jogadas de letras, palavras, sentindo os ocultos do todo sentido. Embrenho-me em meus próprios labirintos, ensaio que sou bom e me perco de mim mesmo.

Portaria

Estou vazio. Totalmente vazio.
Como quem chega ao zero,
Ao pátio, patamar inicial.
Portaria.
Depois de sair de um mítico sete
Caminho para baixo
Recebo uma mulher no quarto e,
Juntos, vamos até o fim.
Ao sairmos
Francamente
O porteiro agradece.
Partindo do zero, então,
Cada um de nós segue a própria vida lá fora
Ou finge.
Alguma coisa de mim
Ainda não partiu.