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segunda-feira, agosto 23, 2010

afastamento

O que me afasta de você
É justamente a poesia!
Esse clamar em desertos alheios
Uma injúria ou difamação
Umas letras, enfim, que, por fim,
Não dizem nada
Só confundem mais o seu pensamento
Que não pára
Que não pára
Só é enlevado para onde não é chamado.

O que me afasta de você
É essa poesia do nada
Poesia de nada
Insistente na teologia
Fingindo-se terapia
De um amanhã que nunca vem.

O que me toca é minha toca
Esconderijo de minha sombra
Regozijo de meu sorriso
Sonho de minha sanha
Espírito do bem
Espiralado

Talho

Cada poesia que eu talho
Nesse oco de pau
Por dentro desses troncos
Secos e sem vida
é um pouco de mim
Que se esvai, assim...
Oco e sem vida
A ficar marcado
Nessas texturas sem vida
Uma rolha de fim de tudo
Um vinho saboroso
Quando um dia for aberto...
Mas não é para ser aberto nunca!

O melhor vinho da eternidade.

Só é eterno aquilo que nunca pode ser.

Lua

Vejo a Lua
Astro sem luz própria
Aprendi na escola
Que é reflexo do Sol.
Continua brilhante no céu
Nada se perdeu para mim
Ela não é dona da luz
Eu não sou dono do Sol
Ela brilha pra mim
Enquanto eu abro uma skol.
Sonhos... Sonhos são assim
A gente imagina uma coisa
Acontece inesperadamente outra
E vem um suspiro de dentro:
"Ainda bem que era sonho!"
E os imprevistos da vida acontecem
Não há beliscão que os faça parar
Não há nada para acreditar...
Voltamos, então, ao sonho
Onde vivemos livremente
sendo-nos!

domingo, agosto 22, 2010

vento

Eu sei quem eu sou.
É justamente por isso que eu quero reprimir, esconder, cavar bem fundo e me enterrar em vida: só para viver mais, até bem velhinho. Não dá para eu ser eu mesmo: acho que não sobreviveria uma semana. Qual seria minha contribuição para o mundo? A Janis é a Janis e eu estou querendo o quê? Me comparar?
Sou um ponto de merda no infinito!
Se eu conseguisse ser pleno... Essa plenitude está longe de mim, por enquanto...
Sou covarde, idiota, bobo, não sou capaz de enfrentar desafios mais graves porque sair de mim mesmo significa "ficar nervosinho" e "não saber o que está fazendo".
Sofro por não conseguir, ainda, ser EU MESMO!, E a Janis Joplin sempre me causou a sensação de que se dedicou até o último fio da alma! Em seguida, morreu.
Quem prende tudo dentro de si, acaba-se transformando em escritor e vive até 80-100 anos.
Poderia estar escrevendo agora, e o que eu estou fazendo? Desabafando num caderninho de merda! Ouvindo Janis - a mulher que eu gostaria de ser - ainda vou escrever uma bela história de amor sob as músicas de Janis Joplin - Talvez quando já for de domínio público (coisa que ela já é, acho).

"DOMÍNIO PÚBLICO" - bom título. Uma coisa que não quero mais, mas que usei de muita alma para fazer agora é "domínio público". Sabe o que quer dizer? Depois que você morrer, passa meio século, e você é estuprado! Tudo o que você fez é de todo mundo.
Já fui estuprado e sei como é:
Acho que estupro é um pouco melhor, pois quem está estuprando tem prazer, pelo menos, apesar de ser a mesma essa sensação de FIM das verdades absolutas. Como se a verdade estivesse em consonância com a destruição de bens materiais. Acontece que a escrita não é um bem material, bem como a fotografia.

Imgino a mulher enciumada de Henri Cartier-Bresson rasgando todas as fotos dele!

Eu passei por isso. Ainda bem que eu não sou nenhum Cartier...
Sou um Fauth que não vale nada.
Podem rasgar minha vida, jogar pelas janelas dos automóveis, afinal de contas nada vale a pena!
Estamos neste mundo à toa mesmo!
Sem Deus, sem ninguém!
Tudo o que produzimos é pilha, lixo especial!
O papel em que produzo, onde escrevo, agora, um dia será incinerado, ou levado por uma ENCHENTE dessas: quando ENCHE a gente e a gente tem que dar fim ao que já foi coberto pelo barro. A chuva tem o poder de apodrecer as coisas. Fiquei apodrecido. Ninguém respeita minhas tintas... Talvez por eu ser mau pintor. E daí? O pouco que me resta é sempre atirado ao lixo! Lugar meu, enfim.