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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Edward Albee

Interessantíssima a entrevista na Folha de S. Paulo de ontem (30.dez.10) com o dramaturgo americano Edward Albee, autor de "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" (2000).

Trechos interessantes:
Folha - A morte é uma presença marcante e até assume forma humana em peças de sua autoria, como "Três Mulheres Altas" e "A Senhora de Dubuque". Por que o senhor acredita que ela seja um mote tão forte para o teatro? Edward Albee - Só há duas coisas que realmente importam. Os dois grandes eventos na vida de qualquer pessoa são seu nascimento e sua morte. E então você escreve sobre esse parêntese, sobre tudo o que acontece nesse intervalo. Você não pode escrever sobre seu nascimento porque não se lembra dele.
Mas pode escrever sobre a morte, porque obviamente não tem memórias dela, mas espera por isso. Há vários tipos de morte. Muitas das minhas peças são sobre pessoas que estão vivas, mas morreram emocional e intelectualmente muito tempo atrás. Você pode estar morto no íntimo e ainda vivo.

 (algo semelhante acontece em 'amortebeijoparasempre', meu romance)


Mais frases no decorrer da entrevista:
As notícias que nos chegam sobre a cena americana incluem a estreia de uma adaptação musical de "Homem-Aranha" orçada em US$ 65 milhões (R$ 109,8 mi) e um número crescente de estrelas hollywoodianas buscando na Broadway legitimação. Que margem esse quadro deixa para provocação e tomada de riscos?
A maioria das pessoas quer um entretenimento seguro e amigável. Não desejam que seja um ato de agressão. E quase toda arte, em seu melhor, é um ato de agressão contra o status quo. Ou seja: está ali para levantar questões, não para fornecer respostas fáceis, simples.
Mas se você faz perguntas difíceis, irrita muita gente. Essa é a função da arte, entretanto. Se ela não lhe saca do conforto, não é arte. O problema é que boa parte das pessoas tem preguiça intelectual.

Como o sr. vê o jogo de forças entre o teatro que chama de comercial e o de vocação mais experimental, hoje, nos Estados Unidos?
Grande parte das obras que são produzidas com um olhar no lucro que voltará para o investidor tende a ser uma perda de tempo. Por outro lado, grande parte dos trabalhos feitos só de amor ao teatro, ainda que não seja rentável, costuma ter mais valor. Esses são feitos em teatros pequenos, não comerciais, geralmente com temporadas mais curtas do que a porcaria comercial.

E por que isso acontece?
Porque as pessoas não querem ser incomodadas quando vão ao teatro. Anseiam por ter seus valores reafirmados -se é que se chega a discutir valores em cena. Não esperam vê-los questionados. Não estão ali para ser perturbadas. Querem perder tempo e estão dispostas a gastar muito dinheiro para isso.


O sr. é, então, pessimista em relação ao futuro do teatro?
O único problema da democracia é que você tem o que quer, em vez daquilo que você deveria querer. Numa democracia, se você é bem educado, pode tentar alcançar aquilo que deveria querer. Mas tem de ser instruído para fazer a democracia funcionar e para querer um teatro que faça algo útil.
Quando eu ia à escola, tinha uma classe de formação cívica, em que aprendia como o governo trabalhava e o que significava um ato político. Não se ensina mais isso na América. Também tive aulas de música, literatura e artes visuais. Hoje, elas não são consideradas importantes. As preferências das plateias são ditadas pelo pouco que aprendem. Se o cardápio ensinado fosse mais amplo, a gama de interesses seria mais diversificada.

E a entrevista é encerrada assim:

Toda arte é reinvenção, não repetição. Arte ruim é repetição. É simples assim.

RAIO-X
EDWARD ALBEE

VIDA
Nasceu em 12 de março de 1928, em Washington D.C., Estados Unidos

OBRA
Escreveu mais de 30 peças, dentre as quais "Quem Tem Medo de Virgínia Woolf", em 1962 e "A Cabra Ou Quem é Sylvia?", em 2002

PRÊMIOS
Ganhou três vezes o Tony Awards (por "Quem Tem Medo...", "A Cabra..." e pelo conjunto da obra), e três vezes o Pulitzer (por "Seascape", "Um Equilíbrio Delicado" e "Três Mulheres Altas")


FONTE: Folha de S. Paulo de 30 de dezembro de 2010.

Violoncelo e harpa

Há muitos anos houve uma espécie de moda com um tipo de música chamada "new age". Muitos discos foram vendidos como música para meditar, etc. Eu não perdia um programa de rádio apresentado por Mirna Grish (acho que era esse o nome). Eis que ela apresentou a música abaixo da qual nunca mais esqueci. De repente, na madrugada, trabalhando aqui e ouvindo a rádio KDFC pela internet, a música aparece. Vejo logo o nome e procuro no youtube. Não foi nenhuma das duas versões abaixo que eu ouvi, mas também estão ótimas. A que eu ouvi era com violoncelo e harpa, mas posto primeiramente a do piano por causa da primazia como está executada. Delicie-se você também.

1º - piano e flauta:

2º - harpa e violoncelo

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Resiliência e metanóia

Foram duas palavras que descobri hoje e que fez-me entender um pouco mais a respeito de mim mesmo. A tal frieza psicopatológica (para quem olha para mim estando fora de mim) é, na verdade, uma extrema resiliência. Já a metanóia é um pouco mais complexa e faz parte do que passo nesse momento.
Achei esse artigo interessante: "Resiliência, metanóia e a arte de cavar buracos".

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Show do Roberto Carlos - Pref Eduardo Paes ferra moradores de Copacabana

Interessante o trabalho do jornalista Ricardo Gama que, revoltado, acabou fazendo um serviço para a comunidade. Muito boa a cobertura. Situação revoltante que faz pensar: o que você faria nessa situação?



O site dele é http://anovademocracia.com.br/blog/

Inserir DNA humano em um cérebro de macaco

          O biólogo Alysson Muotri, brasileiro, professor-assistente da Universidade da Califórnia em San Diego, concede entrevista à Folha de S. Paulo hoje e diz:
          "A gente tem a capacidade que nenhum outro animal tem, que é a teoria da mente . A teoria da mente, explicando de uma forma bem leiga, é o fato de você conseguir se colocar na mente de uma outra pessoa e entender que tipo de coisa ela pode estar sentindo ou pensando em determinada situação."
          A grande questão por que passa atualmente em suas pesquisas é: "como formar um cérebro inteligente e criativo?" E, para isso, ao dar inteligência ao macaco, esbarra-se em uma outra questão (essa que mais interessou a mim, hoje): "[o macaco] poderia começar a ter consciência. A partir desse momento será que ele não se torna um ser 'humanizado'? E, caso se torne, ele passaria a ter os mesmos direitos que as pessoas? Se a resposta for sim, então ele não poderia ser cobaia."

FONTE: Folha de S. Paulo de 29 de dezembro de 2010

David Hockney pinta em iPhone e iPad

29 de dezembro de 2010

O pintor britânico pegou-se tocando a tela do iPhone e reproduzindo o nascer do sol que via pela janela. Gostou da ideia e começou a fazer isso e enviar para os amigos. A luminosidade da tela faz parte da pintura e, portanto, numa galeria serão necessárias várias telas de LCD para haver exposição. O mais interessante está em sua declaração: "Ninguém se perguntou quanto isso custa. Como muita gente, ainda não encontrei uma maneira de receber por isso, mas como esses desenhos dão muito prazer aos meus amigos, que importância isso tem?"

Fonte: Folha de S. Paulo de hoje.
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2912201018.htm (para assinantes)

Querido Diário,

"Querido não, pois querido é coisa de boiola". Casseta e Planeta Urgente já virando velhos tempos. Dizem que esse tal de Blog é uma espécie de diário em que as pessoas vão escrevendo o que fazem da vida, põem fotos, uns comentam os blogs dos outros e por aí vai. Acabo de descobrir uma maneira interessante e utilitária para mim. Fazer disso um diário intelectual. Assim, poderei recordar o que eu lia e que ia me impressionando nas diversas fases da vida, do ano, da semana, sei lá. É que muitas vezes me lembro de reportagens que li e não me lembro onde nem quando. Agora poderei digitar o assunto na busca do blog e, em qualquer parte do mundo, acessar o que eu li. Anos de experiência já me trazem certa certeza de poder confiar que as imformações não se perderão facilmente. Essa ideia de arquivar as coisas foi tão fantástica que resolvi fazer mais um blog.  Trata-se de uma espécie de hemeroteca, onde guardarei os assuntos que for achando em minhas navegações que poderão servir para meus projetos literários futuros. Neste blog aqui, escreverei minhas impressões de coisas que estiver lendo que me impressionarem... Comecemos por hoje, então.

Ainda não vi...

Ainda não vi Rede Social (trailer aí embaixo)... Nem os outros que estão na minha lista. Vontade de ver filme ultimamente. Fico sem assistir à TV durante um bom tempo (só jornais ou uma ou outra entrevista) e, de repente, vem uma vontade louca de ir ao cinema. Estão na minha lista para assisitr nas férias: Rede Social; Pequeno Nicolau; Tetro; O Garoto de Liverpool; De Pernas Pro Ar; Muita Calma Nessa Hora; Você Vai conhecer o Homem dos seus Sonhos; Film Socialism e Um Homem que Grita. São, portanto, nove filmes, dos quais acho que conseguirei ver uns dois... Depois eu vejo da locadora (o que acaba também nunca acontecendo). Na verdade, dez filmes (esqueci de contar a Rede Social).

sexta-feira, dezembro 03, 2010