“Cada canto que eu olho, vejo um verso se bulindo”
Foi uma frase ouvida hoje cedo em um programa da Rede Globo sobre Literatura de Cordel, com direito a depoimento de Alceu Valença sobre isso e sobre um filme que há uns cinco anos, pelo menos, ouço falar que está sendo feito. Pelo Alceu deitado na rede durante a entrevista, acho que vai demorar mais uns cinco. Infelizmente, pois acho-o sensacional, ator, poeta, palhaço, inteligentíssimo, capaz de compreender a imensidão e a pequenez humana em todo seu paradoxo.
Mais tarde, em formidável artigo entitulado “Filme de aventura”, do diretor da Carioca Filmes e produtor de cinema Christoph Reisky (no jornal O Globo), li algumas coisas interessantes. O artigo reflete sobre o que é fazer cinema no Brasil: uma verdadeira aventura para a qual perdem os personagens hollywoodianos como Indiana Jones. Diz ele que “É preciso enfrentar um oceano bravio de burocracia em busca de certidões, balanços, registros e documentos que são o mais valioso para as autoridades do setor. Por vezes parece uma gincana”. E mais: “De cada ingresso vendido, o produtor, responsável pelo produto que leva as pessoas ao cinema recebe, na melhor das hipóteses, 25%.” Achei interessante, pois ainda é melhor do que o escritor que, normalmente, leva 7% sobre cada livro vendido.
O artigo de João Ubaldo Ribeiro é sobre o uso do celular. Ele ainda não se rendeu, mas acredita que não vai durar muito. Termina informando, depois de dizer que já viu pessoas conversando ao celular no mesmo restaurante: “Talvez o celular venha a substituir todas as outras formas de comunicação, quem sabe? Espero que haja mercado para redatores de torpedos, vou me qualificar.”
Descobri que, dos filmes que quero ver no cinema, quatro estão classificados, pelo O Globo com o bonequinho de pé batendo palmas. Outros quatro com o bonequinho sentado e ainda aplaudindo. Só o “De pernas pro ar” que o bonequinho está apático... Ainda não vi filme algum. Fico aqui em Paquetá-RJ até o aniversário da minha filha, dia 04. E o show da Amy Winehouse já está garantido. Dia 10.
Na seção “Sei lá, mil coisas”, da Revista O Globo, há uma frase ouvida de uma mulher falando ao namorado durante uma discussão da relação em bar em Botafogo:
“A opção curtir acabou. Agora é compartilhar ou excluir.”
E o Cláudio Paiva me aparece com um cartum sensacional. O médico examinando o paciente:
- Cigarro?
- Eu vou largar.
- Bebida?
-Vou parar também!
- Exercício?
-Vou começar.
-Trabalhar menos?
-Vou tentar.
Por fim, o paciente, já meio impaciente, pergunta:
- Terminou ou o senhor ainda tem alguma coisa para arruinar meu ano novo?
Ao que o médico, responde:
- Vamos examinar sua próstata.
A crônica da Martha Medeiros, chamada O isopor e a neve, está sensacional e nem dá para reproduzir. Há algo interessante: ontem ou antes de ontem eu falava da vontade de rever o filme “Beleza Americana” e ele aparece citado na crônica. Em determinado momento, ela diz: “Fiquei paralisada por ter sido platéia de um pouco de poesia no meio de uma tarde de um dia útil, que se mostrou útil justamente quando parei de trabalhar.” O que nos leva a pensar sobre o que é útil ou inútil - verdadeiramente - para o ser humano.
Depois veio Priscilla Rozembaum, diretora do espetáculo “Um coração fraco”, que estreia dia 7 de janeiro no Teatro Sérgio Porto (pronto, mais uma atração para minha lista das frustrações). Escreveu, em sua crônica “A filosofia do sono”, que a insônia, segundo o psicanalista de seu vizinho, significa que temos algo muito importante a fazer e ainda não fizemos. Diz ela: “achei bonito aquilo, mas o difícil é descobrir o que eu não fiz. Tira o sono.” Durante suas insônias, lê bastante. Gosta mais, dentre os clássicos, de Dostoievski. E eu lendo “Crime e Castigo”. Mais uma coincidência, somando agora duas: Crime e Castigo e Beleza Americana. O que querem me dizer essas coisas? Acho que nada.
Terminei minha viagem com a imagem das bolas, utilizadas como enfeite das ruas de Ipanema (e também para evitar estacionamentos irregulares), pintadas em formato de bomba, com a inscrição de um coração vermelho (a bola pintada de preto) e as letras RJ.
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