Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2011
Eu não sabia. Francisco Bosco é filho de João Bosco e escreveu um artigo muito bom em O Globo de hoje. Chama-se "O ensaio como poema". Começa assim:
A poesia /e antes uma forma de ler do que uma forma de escrever, e ainda antes uma forma de viver do que uma forma de ler.
e linhas abaixo:
...quanto maior for o tempo que precede a escrita, isto é, o tempo da leitura, maior é a experiência de estar impedido de agir [escrever].
Cita, mais tarde, o filósofo Giorgio Agamben, explicando que essa experiência de estar impedido de agir por causa do período de leitura é chamada de "tristeza do letrado".
Afirma, parágrafos depois, que Borges dizia nada ler sem alegria. Sobre Roland Barthes escreve:
Barthes dizia preferir as variações à profundidade, e que só tinha duas alegrias escrevendo: ao começar e ao terminar (no fim da vida chegou mesmo a dizer que só a tinha ao terminar). Daí que quando propôs-se a 'escrever um romance' sua maior dificuldade era passar da forma breve, descontínua, à forma longa da narrativa. Tratava-se, em suas próprias palavras, de um problema 'psicoestrutural'.
Termina seu artigo assim:
...[trata-se de] cada escritor achar a forma de escrever, ler e viver que convém à singularidade que o define.
Mais sobre Francisco Bosco em excelente crítica de Fabrício Carpinejar:
http://www.joaobosco.com.br/novo/download/pdf/carpinejar-estadao.pdf
Artigo na íntegra aqui: http://umeoutro.net/arquivos/bosco_ensaio.pdf
Detalhe: apesar de saído hoje em O Globo, é de 2007.
Quarta-feira, Janeiro 12, 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário