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Quinta-feira, Maio 19, 2011

Bastidor, de Ana Holck

          Em 09 de janeiro de 2011, visitei a exposição de Ana Holck no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Era o último dia e só visitei a exposição porque esperava o horário da peça "A Lua vem da Ásia", monólogo de Chico Díaz, baseado na obra homônima de Campos de Carvalho publicada em 1956. Ótima peça, aliás.

          "Caminhamos escorados no fino limiar entre uma presença escultórica marcante e sua pulverização, adentrando um produtivo campo de incertezas no qual ver talvez seja menos habitar do que desabituar-se." (do texto "desabitar-se", de Sérgio Bruno Martins, sobre a exposição de Ana Holck)
           Trata-se de uma sala inteira transformada em um imenso biombo de plástico, daquelas pastas polionda usadas na escola. Brancos, opacos, baseando-se na ideia dos pisos hexagonais de concreto. Alguns deles, os de concreto, no chão, escorando as paredes de plástico, ora com hexágonos cheios do material (na verdade policarbonato alveolar), ora com vazios hexagonais. A interpretação faz parte da questão, como dizia, antigamente, meu professor de matemática. Veja detalhes clicando aqui.

           As pessoas que ali vão, falam baixinho, como manda a educação. "Eu pensei que você gostasse de arte", diz uma mulher a um homem, provavelmente o marido e a voz diminui ainda mais quando eu me aproximo mais, tentando saber do diálogo, talvez ouvir a resposta daquele homem que parecia incomodado vendo aquilo. Não ouvi, mas foram duas palávras, no máximo três que ele deixou escapar entredentes com uma cara de quem queria sair logo dali.

          Tenho notado isto faz tempo: esse falar baixo demais como se houvesse medo de expressar a opinião. Não gostar e ser criticado por um não entendedor de arte, ignorante das novas tendências. Ora, o direito de gostar compete a todo ser humano. Não gostar de determinada forma de arte e manifestar-se não é desrespeitar o artista. A sensação que tenho, no entanto, é a de estar no interior de uma igreja - aquele silêncio... Como se duvidar da existência de um sentido para a vida, para a arte ou para deus fosse uma heresia. Eu, por exemplo, não sou muito fã de artes modernas e instalações, apesar de gostar muito da ideia desta última. Minha opinião é bem parecida com a de Ferreira Gullar nesse aspecto. Entretanto, como nas igrejas, mantenho o silêncio como quem vela o que não existe, ou seja, vivo as obviedades.

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